Pinturas rupestres gigantes revelam resistência dos aborígenes contra colonização na Austrália
Estudo destaca imagens monumentais de seres ancestrais em Arnhem Land como forma de controle territorial e preservação cultural
Pesquisadores identificaram na região de Arnhem Land uma série de pinturas rupestres com figuras de animais e criaturas gigantes, criadas entre os séculos 19 e 20 pelos aborígenes para enfrentar os impactos da colonização europeia.
Na região de Arnhem Land, no norte da Austrália, uma importante descoberta arqueológica lança luz sobre as estratégias culturais dos povos aborígenes diante da colonização europeia. Segundo um estudo publicado na revista Australian Archaeology, pinturas rupestres monumentais criadas entre os séculos 19 e 20 retratam seres ancestrais em tamanhos gigantescos, produzidas como forma de afirmar controle territorial e preservar tradições ameaçadas pela ocupação estrangeira.
O arqueólogo Paul Taçon, da Griffith University, trabalha desde 2018 com Charlie Mungulda, líder tradicional do povo Amurdak, na documentação de 165 sítios de arte rupestre em Awunbarna. De acordo com Phys.org, eles encontraram pinturas de criaturas como pítons de dois metros, crocodilos e cangurus em tamanho natural. Entre os registros mais impressionantes está uma Serpente Arco-Íris de seis metros de comprimento, dotada de dentes afiados e cabeça de crocodilo, figura central para as crenças locais.
Para Taçon, a escala monumental dessas pinturas é uma resposta simbólica ao impacto cultural da colonização. Ele explica que “como o mais poderoso de todos os Seres Ancestrais, a Serpente Arco-Íris era uma força potente que poderia ser usada, por meio de representações, histórias e cerimônias, para ajudar a dar aos povos aborígenes alguma estabilidade e controle sobre seu destino em tempos de rápidas mudanças, reforçando as tradições”.
Além dos seres legendários, a equipe identificou a única representação conhecida de uma baleia-jubarte em toda a Austrália, reforçando a singularidade do complexo rupestre. As Serpentes Arco-Íris, enfatiza o estudo, são consideradas seres ancestrais com a habilidade de dobrar o tempo, conectando passado e presente, o que indica a profundidade espiritual dessas expressões artísticas.
A pesquisa ainda não foi confirmada oficialmente por outras fontes além de Aventuras na História, e o tema segue em desenvolvimento. Contudo, os dados já obtidos demonstram como a arte indígena serviu como uma poderosa ferramenta simbólica para resistir à perda cultural e territorial provocada pela colonização europeia, além de ampliar o conhecimento geral sobre as cosmovisões aborígenes no século 19 e 20.
O que sabemos?
- Pinturas de seres ancestrais gigantes em Arnhem Land datam dos séculos 19 e 20.
- Serpente Arco-Íris de seis metros é uma das figuras mais destacadas.
- Existem 165 sítios de arte rupestre documentados em Awunbarna.
- A pesquisa está publicada na revista Australian Archaeology e reportada por Aventuras na História.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada




