Macacos-prego no Piauí aumentam caça a pequenos vertebrados em época de escassez de frutas
Estudo revela que a frequência de predação desses primatas cresce quando frutas e vegetais são escassos, sugerindo semelhanças com hábitos ancestrais humanos
Acompanhando macacos-prego na Fazenda Boa Vista, no sul do Piauí, pesquisadores constataram que esses primatas caçam aves, gambás e outros pequenos animais com intensidade maior na falta de alimentos vegetais, comportamento que pode refletir estágios iniciais da caça em primatas, incluindo os humanos.
Macacos-prego aumentam a caça a pequenos vertebrados como aves e gambás quando a disponibilidade de frutas e vegetais diminui. Essa descoberta é parte de um estudo realizado ao longo de 45 meses na Fazenda Boa Vista, no sul do Piauí, e publicada na revista científica Plos One, segundo informações do Jornal da USP.
A pesquisa, conduzida por uma equipe incluindo Patrícia Izar, professora titular do Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da USP, investigou a frequência e o padrão de caça desses macacos. "A presença de carne na alimentação dos macacos-prego não era uma novidade para os pesquisadores. Há registros anteriores de animais capturando ratos, cobras, aves e até outros primatas", afirmou Patrícia Izar. No entanto, o estudo buscou preencher a lacuna sobre a repetição e os fatores que influenciam esses episódios de predação.
Durante quatro anos, os especialistas registraram os comportamentos de predadores e presas, coletaram dados sobre sexo e idade dos animais que praticavam a caça, além de catalogar as espécies caçadas. Essa ampla observação permitiu identificar que a frequência de caça aumenta proporcionalmente à redução de frutas disponíveis no ambiente, o que indica uma adaptação alimentar dos macacos-prego em momentos de escassez.
Os resultados obtidos sugerem que a estratégia de predar pequenos vertebrados está longe de ser esporádica e pode remeter ao comportamento predatório dos ancestrais humanos. Segundo o estudo, entre os primatas vivos, os humanos são os únicos que caçam frequentemente animais maiores que eles próprios, um comportamento relacionado à expansão cerebral e ao desenvolvimento de sociedades complexas. Este hábito poderia ter raízes mais modestas, iniciando-se pela captura de presas pequenas, prática mantida por chimpanzés e macacos-prego.
É importante destacar que essas conclusões baseiam-se até agora em estudo divulgado somente pelo Jornal da USP e ainda aguardam confirmações ou novas análises por outras fontes científicas. A pesquisa na Fazenda Boa Vista não apenas amplia o conhecimento sobre a dieta dos macacos-prego, mas também oferece pistas relevantes sobre as origens evolutivas dos comportamentos alimentares em primatas e humanos.
O que sabemos?
- Macacos-prego caçam pequenos vertebrados como aves e gambás em ambiente do sul do Piauí.
- Frequência da caça aumenta quando há escassez de frutas e vegetais disponíveis.
- Estudo foi conduzido por 45 meses e publicado na revista Plos One.
- Comportamento pode refletir hábitos ancestrais ligados à origem da caça em primatas.
Fontes
- Jornal da USP fonte oficial




