Ciência

Avanço na medicina: cientistas revivem rins de porco congelados por mais de um ano

Em apuração ?

Experimento inédito aponta possibilidades futuras para armazenamento de órgãos e transplantes

Imagem ilustrativa de um laboratório com equipamentos de cryopreservação
Imagem: Revista Galileu

Pesquisadores da Universidade de Minnesota conseguiram reanimar rins de porcos congelados a -150 ºC após um ano. Caso a técnica seja confirmada, pode transformar a perspectiva de conservação de órgãos humanos para transplantes.

Um avanço científico promete abrir novas fronteiras na medicina de transplantes. Pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, anunciaram ter conseguido reviver rins de porcos que foram mantidos congelados por mais de um ano a temperaturas extremas de -150 ºC. Apesar de ainda não confirmado oficialmente, o feito é considerado um passo importante na busca por métodos mais eficientes de armazenamento de órgãos vitais, como rins, coração e pulmões, que atualmente têm um tempo limitado para serem transplantados.

Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, a equipe utilizou uma técnica de vitrificação, que é um congelamento acelerado que evita a formação de cristais de gelo prejudiciais às células. Para isso, os cientistas carregaram os rins com um crioprotetor — substância que protege as células durante o congelamento — infundido em nanopartículas de óxido de ferro. Essas nanopartículas, ao serem ativadas por um campo eletromagnético, geram calor controlado, permitindo que o órgão seja aquecido de forma cuidadosa ao longo do processo.

Conforme explicado por um dos líderes do estudo, o cientista afirmou que, ao atingir aproximadamente -120 ºC, o rim vitrificado se comporta como um vidro, estando estável por tempo indeterminado. Após uma pausa no resfriamento, os órgãos foram aquecidos até atingir -150 ºC e, após esse procedimento, foram transplantados em porcos para avaliação. Em monitoramento de duas horas após o procedimento, os rins mostraram sinais de recuperação: ficavam rosados imediatamente e começaram a produzir urina em cerca de um minuto, produzindo cerca de dois terços da quantidade normal.

O pesquisador responsável pelo estudo destacou que, embora os rins não estejam ainda prontos para uso em humanos e ainda precisem demonstrar capacidade de sustentar a vida por mais tempo, o avanço já é considerado histórico por especialistas na área, que aguardam com expectativa a completa validação do método. Segundo ele, há dez anos, chances de algo assim funcionasse pareciam remotas, e a equipe se surpreendeu positivamente com os resultados obtidos até agora.

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Os experimentos realizados até o momento envolveram um período de congelamento curto, de cerca de 10 dias, em porcos. Ainda não há previsão sobre quando essa técnica poderá ser aplicada na medicina humana, mas a possibilidade de armazenar órgãos por períodos extensos com menos toxicidade aumenta a esperança de ampliar o prazo para doação, que atualmente é de até 36 horas para rins, e de 6 horas para órgãos como coração e pulmão. O estudo, publicado em 14 de outubro como pré-print — uma versão preliminar de publicação científica — no site bioRxiv, ainda aguarda revisão por pares, o que significa que sua comprovação científica oficial ainda depende de confirmações adicionais.

Por enquanto, o avanço representa um marco na pesquisa de cryopreservação de órgãos, levantando possibilidades de futuras aplicações. Se confirmada a eficácia em longo prazo, essa tecnologia poderá transformar a medicina de transplantes e salvar muitas vidas, ampliando o tempo de preservação e garantindo órgãos em melhores condições para quem aguarda por um novo órgão. Ainda assim, especialistas reforçam que a técnica precisa de estudos adicionais para validar sua segurança e eficiência antes de chegar à clínica.

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O que sabemos?

  • Pesquisadores reviveram rins de porcos congelados por mais de um ano a -150 ºC.
  • Órgãos foram aquecidos e recuperaram cor, fluxo sanguíneo e produção de urina.
  • Estudo realizado na Universidade de Minnesota e publicado como pré-print.
  • Técnica envolve vitrificação, crioprotetores e nanopartículas de ferro ativadas por campo eletromagnético.
  • Apenas experiências em animais foram realizadas até agora, sem confirmação para uso humano.

Fontes

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