Ciência

Descoberta revela ouro em vestimentas medievais na Catedral de Canterbury

Em apuração ?

Análise de vestuário de arcebispo do século 12 aponta uso de ouro na sua confecção

Detalhe de vestimenta medieval com decoração dourada de pássaros
Imagem: Aventuras na História

Cientistas identificaram ouro em uma antiga vestimenta eclesiástica de Hubert Walter, arcebispo de Canterbury, durante pesquisa que também investiga as rotas comerciais da época.

Durante uma investigação científica realizada na Catedral de Canterbury, na Inglaterra, pesquisadores revelaram um achado surpreendente: uma vestimenta do século 12, que pertenceu ao arcebispo Hubert Walter, contém vestígios de ouro em seu tecido. A análise, que durou cinco dias, foi feita dentro do projeto "Whose Past?", que estuda a origem e o comércio de sedas na Idade Média na Inglaterra. Segundo os estudiosos, a peça, uma dalmática – uma túnica de mangas largas –, atualmente apresenta uma coloração cinza fosca devido a processos de deterioração, o que dificultou sua identificação visual inicial. No entanto, exames laboratoriais confirmaram a presença de ouro, que originalmente destacava partes específicas da decoração, como as cabeças e os pés de pássaros que ornamentam o tecido, conferindo um alto grau de luxo às vestimentas utilizadas pela elite eclesiástica na época.

Segundo a fonte, o uso do ouro na peça sugere que ela tinha um visual bastante marcante na sua origem, muito diferente do que pode ser visto atualmente. Além de identificar o material, os pesquisadores também analisaram a técnica de aplicação do ouro, que é considerada incomum. Essa descoberta é importante porque pode contestar a ideia de que a seda utilizada fosse espanhola; há a possibilidade de ela ter sido produzida em centros têxteis de regiões ligadas ao Império Bizantino ou ao mundo islâmico, regiões conhecidas por técnicas avançadas de tecelagem e uso de metais preciosos na decoração de tecidos.

Segundo a investigadora Amanda Luyster, do College of the Holy Cross e líder do projeto, "o mundo medieval era muito mais expansivo, cosmopolita e dinâmico do que imaginamos – e os têxteis de Canterbury ajudam a entender melhor essas histórias de comércio e cultura, desde a tapeçaria de Bayeux até os detalhes de vestuário de figuras importantes como Hubert Walter." Ainda não há confirmação oficial sobre a origem exata da seda, mas as próximas etapas da pesquisa prometem trazer mais detalhes, incluindo o local de fabricação, com resultados previstos para uma conferência e uma publicação em 2028.

Hubert Walter foi uma figura de grande relevância na Inglaterra do século 12, atuando como Justiciar, um cargo semelhante ao de um juiz principal, sob o reinado de Ricardo I, e também como chanceler durante o reinado de João. Sua coleção de vestimentas preservada nos arquivos da Catedral de Canterbury oferece uma oportunidade única para compreender a moda e o prestígio da elite eclesiástica e política na época. Além da dalmática, a equipe de pesquisa analisou bolsas de seda usadas para proteger selos de cera em documentos, formando a maior coleção do gênero na Europa, o que contribui para o entendimento das redes comerciais do período.

Segundo a mesma fonte, o estudo dessas peças ajuda a reconstruir os fluxos comerciais e culturais da Idade Média, destacando uma época de grande intercâmbio entre diferentes regiões do mundo conhecido. Normalmente, o que se via nas representações mais antigas era uma ideia de exclusividade e isolamento, mas as descobertas recentes reforçam um cenário de elevada complexidade e conexão global na época. Ainda não há uma confirmação definitiva sobre o método preciso de fabricação ou o local de origem da seda, mas as próximas etapas de investigação estão prometidas para lançar luz definitiva sobre esses pontos, com resultados aguardados para 2028.

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O que sabemos?

  • Uma vestimenta medieval de Hubert Walter contém ouro, confirmado por exames laboratoriais.
  • A peça é uma dalmática com decoração de pássaros, originalmente mais colorida e luxuosa.
  • As análises indicam um método incomum de aplicação do ouro, sugerindo origem possivelmente fora da Espanha, talvez no Império Bizantino ou regiões islâmicas.
  • A pesquisa faz parte do projeto "Whose Past?", que investiga o comércio de sedas na Idade Média na Inglaterra.

Fontes

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