Ciência

Estudo revela mudança na percepção de evangélicas sobre feminismo e políticas públicas

Em apuração ?

Pesquisa aponta que mulheres evangélicas passaram a identificar o feminismo de forma mais positiva e querem mais proteção do Estado

Mulheres evangélicas em conversa, simbolizando mudança de percepção sobre feminismo
Imagem: Folha de S.Paulo

Segundo estudo do Iser, mulheres evangélicas, sobretudo negras e de classes C e D, estão ressignificando opiniões sobre feminismo, fé e o papel do Estado.

Um estudo do Instituto de Estudos da Religião (Iser), divulgado recentemente, traz uma perspectiva surpreendente sobre as mulheres evangélicas no Brasil. Segundo a pesquisa, essa parcela da população, que tradicionalmente era vista como resistente às ideias feministas, vem mudando sua postura de forma mais complexa do que se imagina, conciliando fé, vontade de igualdade e uma expectativa maior de proteção por parte do Estado.

A pesquisa foi feita com 45 mulheres de diferentes idades, entre 16 e 65 anos, predominantemente negras ou pardas e provenientes das classes C e D, um perfil bastante representativo do público evangélico. Segundo o relato das próprias entrevistadas, elas vêm de uma visão que, até pouco tempo, associava feminismo a ideias contrárias aos valores religiosos, provocando uma rejeição ao conceito. No entanto, o estudo aponta que, nos últimos anos, essas mulheres passaram a reinterpretar o feminismo de maneira mais pragmática e associada ao direito de trabalhar, ter sua independência financeira e buscar uma divisão mais justa das tarefas domésticas.

Segundo uma das coordenadoras do estudo, a antropóloga Livia Reis, o painel revela que as mulheres gostariam de um Estado mais forte, que as ajudasse nas demandas diárias, especialmente na proteção contra a violência doméstica. Ainda conforme ela, há um apoio significativo por parte dessas fiéis à educação sexual nas escolas — ainda que muitas delas relatem experiências pessoais de abuso, o que influencia na sua percepção sobre o papel dos homens e a confiança no cuidado familiar.

Outra constatação importante é a de que essas mulheres não veem conflito entre seus valores religiosos e a busca por igualdade de gênero, defendendo, inclusive, o direito de trabalhar e de administrar seu próprio dinheiro. Segundo o estudo, elas também têm uma compreensão do papel de submissão baseado no trecho bíblico de Gênesis, que fala de uma ajudadora idônea, além de valorizar a figura da mulher virtuosa descrita no Livro de Provérbios, que administra o lar com zelo e faz bem ao marido.

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O estudo ainda pontua que as fiéis ouvidas não são um retrato homogêneo da mulher evangélica brasileira. Muitas, especialmente as de classes mais baixas, vêem na igreja um espaço de busca por paz e de encontro com Deus, não apenas uma instituição ligada ao uso político dos templos. Ainda assim, a pesquisa é considerada um retrato qualitativo e aprofundado desse grupo, e seus resultados não podem ser considerados representativos de toda a população evangélica do país.

Até o momento, o estudo e suas conclusões ainda não foram confirmados oficialmente por outras fontes, e a pesquisa ainda aguarda validação por parte de instituições complementares. O que se sabe é que essas mulheres, muitas das quais passaram por experiências de abuso, estão desmistificando estereótipos e mostrando que a religião, o feminismo e o desejo por uma sociedade mais justa podem coexistir de uma forma mais flexível e pragmática.

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O que sabemos?

  • A pesquisa entrevistou 45 mulheres evangélicas de 16 a 65 anos.
  • Majoritariamente negras, pardas e das classes C e D.
  • Mulheres passaram a ressignificar o feminismo, conciliando fé e direitos.
  • Elas apoiam um Estado mais forte e a educação sexual nas escolas.
  • Não há confirmação oficial ou citação de outras fontes no momento.

Fontes

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