Naufrágio da Segunda Guerra na Albânia se transforma em habitat para espécies invasoras e ameaçadas
Estrutura submersa do navio-hospital dispara formação de recifes artificiais na baía de Vlora
Durante estudos na baía de Vlora, pesquisadores observaram que o naufrágio do navio da Segunda Guerra Mundial virou um refúgio para peixes invasores e uma raríssima foca-monge-do-mediterrâneo, indicando mudanças ambientais aceleradas na região.
Um antigo navio-hospital da Segunda Guerra Mundial, afundado na baía de Vlora, na Albânia, há mais de oito décadas, revelou-se um novo ecossistema submarino, atraindo espécies que até então eram raras na área. Segundo informações de uma pesquisa publicada por uma fonte especializada, mais de 80% da estrutura do navio está coberta por uma variedade de vida marinha, resultado do processo conhecido como formação de um recife artificial, onde metais e cavidades criam ambientes ideais para algas, pequenos organismos e, consequentemente, animais maiores.
O navio, atingido por um torpedo lançado por um avião britânico durante a Guerra Greco-Italiana, em 1941, hoje funciona como um habitat natural, especialmente por suas irregularidades estruturais. Pesquisadores explicam que esses ambientes fornecem abrigo e alimentam uma comunidade marinha diversa, que inclui espécies tanto nativas quanto invasoras. Entre os animais observados, destaca-se o peixe-leão, uma espécie originária do mar Vermelho e do oceano Índico Ocidental, que tem expandido sua presença no Mediterrâneo, principalmente com o aumento das temperaturas do mar.
De acordo com o estudo, as equipes registraram até sete exemplares simultaneamente próximos ao naufrágio, o que representa um dos registros mais ao norte da espécie no mar Adriático. Especialistas explicam que esses peixes encontram o local como uma espécie de ponto de apoio, uma oportunidade de se estabelecer enquanto exploram novas áreas. Ainda segundo os autores da pesquisa, esse fenômeno é alimentado pelo aquecimento global, que favorece a entrada de organismos tropicais no Mediterrâneo via Canal de Suez, além de alterações na salinidade e temperaturas excepcionais.
Simone Modugno, mergulhadora e pesquisadora da Universidade de Ferrara, na Itália, declarou ao portal Live Science que, embora esses registros não sejam uma surpresa para a comunidade científica, a velocidade com que essas mudanças estão ocorrendo é preocupante. Ela destaca que a presença de espécies tropicais invasoras, como o peixe-leão, pode evoluir para um problema sério na região nos próximos anos, considerando a tendência de expansão dessas espécies devido às mudanças climáticas aceleradas.
Outro fato que chama a atenção na recente observação do naufrágio é a confirmação da presença de uma foca-monge-do-mediterrâneo, registrada entre as cavidades do navio em agosto de 2023. Segundo a revista Galileu, essa é a primeira vez que o animal é visto na baía de Vlora desde 1996, o que pode indicar que os destroços estão oferecendo um refúgio para espécies ameaçadas, em meio a um cenário de pressão sobre os habitats naturais na região.
As informações ainda não foram confirmadas oficialmente por outras fontes além da revista Galileu, e o clube não se pronunciou oficialmente, aguardando mais estudos e confirmações. O que se sabe, até o momento, é que o naufrágio do Po virou um ponto de grande interesse para pesquisadores e ambientalistas, tanto pelo seu potencial como recife artificial quanto pelo papel que desempenha na adaptação de espécies exóticas e ameaçadas às mudanças ambientais. A situação reforça a importância de monitorar esses ambientes e entender os impactos do aquecimento global na biodiversidade mediterrânea.
O que sabemos?
- O naufrágio do navio ocorreu em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial.
- Mais de 80% da estrutura do navio está coberta por vida marinha.
- O navio agora funciona como um recife artificial com diversidade biológica.
- Peixe-leão, espécie invasora, foi registrado em até sete exemplares na área.
- Foca-monge-do-mediterrâneo foi vista na região, o que não acontecia desde 1996.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada




