Missão espacial BepiColombo inicia sua jornada rumo ao planeta mais misterioso do sistema solar
Satélites europeus e japoneses partem para desvendar os segredos de Mercúrio após anos de viagem
A nave BepiColombo, resultado de uma colaboração internacional entre ESA e JAXA, completou a separação do módulo de transferência nesta quinta-feira. A missão busca entender como Mercúrio se formou e evoluiu.
Uma missão espacial ambiciosa está oficialmente em andamento para estudar Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol e também um dos menos explorados do nosso sistema solar. Segundo informações da Agência Espacial Europeia (ESA), o lançamento ocorreu em outubro de 2018, a bordo de um foguete Ariane 5, partindo do Centro Espacial Europeu, localizado perto de Kourou, na Guiana Francesa. Desde então, a sonda, conhecida como BepiColombo, percorreu mais de 10 bilhões de quilômetros em uma trajetória que envolveu vários sobrevoos de Terra, Vênus e Mercúrio, utilizando uma combinação de propulsão elétrica e impulsos gravitacionais, além de nove manobras de assistência planetária.
A homenagem ao nome da missão reflete o engenheiro e matemático italiano Giuseppe Colombo, que estudou de perto a rotação peculiar de Mercúrio e ajudou no desenvolvimento de trajetórias que possibilitaram as primeiras missões ao planeta na década de 1970. Segundo Frank Budnik, gerente de dinâmica de voo da missão na ESA, "você pode ir mais rápido para Mercúrio se seguir uma rota direta, mas o desafio é inserir a espaçonave na mesma velocidade do planeta, o que exige muita energia." A solução envolveu o uso de sobrevoos estratégicos e propulsão elétrica para reduzir o tempo de viagem.
Na manhã desta quinta-feira, às 8h (horário do leste dos EUA), a missão realizou a separação do módulo de transferência da BepiColombo, que teve a sua passagem confirmada oficialmente às 9h53, quando a equipe de controle na ESA recebeu um sinal indicando que o satélite estava em boas condições. Segundo Ignacio Tanco, chefe de Operações de Missões do Sistema Solar Interno na agência, "a separação foi tranquila e tudo ocorreu conforme o planejado, mas este é apenas o começo de um processo complexo." Ele afirmou ainda que, após a fase inicial, a sonda permanecerá em órbita ao redor do Sol por um período indefinido enquanto se prepara para a entrada na órbita de Mercúrio, prevista para novembro, quando os dois satélites científicos de missão — o Mercury Planetary Orbiter (MPO) e o Mercury Magnetospheric Orbiter (MIO) — serão capturados pela gravidade do planeta e começarão a acompanhar sua superfície e magnetosfera.
A missão BepiColombo representa um passo importante para a compreensão de Mercúrio, cujos detalhes de formação e evolução ainda são pouco conhecidos. Ainda não há confirmação oficial de que a missão irá passar por obstáculos ou atrasos, mas o projeto é considerado um dos mais importantes na área de exploração planetária atualmente. Todo o que se sabe até o momento é que a entrada em órbita ao redor de Mercúrio acontecerá no dia 21 de novembro, marcando o início de uma fase de observações e estudos inéditos. A expectativa do público e da comunidade científica é alta, pois os dados fornecidos poderão ajudar a elucidar questões antigas sobre o planeta mais interno do sistema solar, cujas condições extremas e composição permanecem um mistério.
O que sabemos?
- A missão BepiColombo foi lançada em outubro de 2018.
- A nave percorreu mais de 10 bilhões de quilômetros até chegar ao destino.
- A separação do módulo de transferência ocorreu às 8h de quinta-feira e foi confirmada às 9h53.
- O objetivo é inserir a sonda em órbita ao redor de Mercúrio até 21 de novembro.
- A missão é resultado de uma parceria entre ESA e JAXA.
Fontes
- CNN Brasil imprensa




