Ciência

Memórias de longo prazo podem sobreviver a mudanças cerebrais profundas, aponta pesquisa

Em apuração ?

Estudo com camundongos revela que informações aprendidas podem ser recuperadas mesmo após períodos de hibernação artificial

Imagem ilustrativa de neurônios e sinapses no cérebro
Imagem: Aventuras na História

Pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa descobriram que memórias armazenadas no cérebro podem resistir a alterações físicas e químicas causadas por hibernação artificial em camundongos. A pesquisa sugere que o mecanismo de preservação da memória é mais complexo do que apenas a manutenção das conexões neurais.

Um estudo recente realizado por pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa (OIST), no Japão, trouxe uma descoberta que pode mudar a compreensão sobre a resistência das memórias humanas, especialmente as de longo prazo. Segundo informações divulgadas pelo estudo, publicado na revista científica Science, foi possível observar que camundongos que passaram por um período de hibernação artificial conseguiram recuperar informações aprendidas anteriormente, mesmo após apresentar alterações físicas e químicas em seus cérebros.

A equipe liderada pela principal autora do estudo, Yu-Ju Lin, explicou que o procedimento de hibernação artificial resultou em uma queda de cerca de 70% na atividade cerebral dos animais, além do desaparecimento de algumas espinhas dendríticas, que são estruturas essenciais na transmissão de sinais entre neurônios. Antes da hibernação, os camundongos foram treinados para realizar tarefas, como localizar pellets de açúcar em um labirinto. Após duas dias de repouso forçado nesse estado de repouso profundo, eles foram despertados e, para surpresa dos pesquisadores, conseguiram recuperar as capacidades que haviam sido treinadas.

Essa capacidade de recuperação foi considerada surpreendente, pois, até então, acreditava-se que a preservação das memórias dependia essencialmente da manutenção física dessas conexões neurais. Se essa teoria fosse válida, a deterioração observada durante a hibernação deveria ter prejudicado significativamente as lembranças. No entanto, os testes mostraram o contrário, indicando que o cérebro poderia utilizar mecanismos mais elaborados para garantir a estabilidade das memórias de longo prazo, mesmo quando as conexões neurais não estão inteiramente preservadas.

Por enquanto, ainda não há confirmações de que esses mecanismos se aplicam ao cérebro humano, mas a descoberta abre novas perspectivas na compreensão de como o cérebro armazena e mantém informações ao longo do tempo. Pesquisas futuras podem avançar na busca por entender melhor esse processo e possivelmente contribuir para o desenvolvimento de tratamentos para transtornos que afetam a memória, como as demências.

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O que sabemos?

  • Memórias de longo prazo podem sobreviver a alterações físicas e químicas no cérebro.
  • Camundongos treinados recuperaram habilidades após duas dias de hibernação artificial.
  • A atividade cerebral caiu cerca de 70% durante a hibernação.
  • As espinhas dendríticas desapareceram, mas as memórias foram preservadas.
  • A descoberta sugere mecanismos mais complexos na manutenção da memória além da simples preservação das conexões neurais.

Fontes

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