Ciência

Futuro da vida na Terra pode estar ameaçado pelo aumento do calor solar, apontam estudos

Em apuração ?

Especialistas alertam que o oxigênio da atmosfera pode desaparecer em cerca de um bilhão de anos devido ao envelhecimento do Sol

Ilustração do Sol envelhecendo e seu efeito na Terra ao longo de bilhões de anos.
Imagem: CNN Brasil

Apesar dos efeitos da poluição e do aquecimento global, a principal ameaça à vida na Terra, segundo um estudo recente, vem do próprio Sol. Cientistas simulam um cenário em que a radiação solar intensifica, levando à extinção do oxigênio atmosférico.

Um estudo recente publicado na revista Nature Geoscience revelou que a maior ameaça à sustentabilidade da vida na Terra pode vir de um processo natural e inevitável: o envelhecimento do Sol. Segundo os autores, o aumento da radiação solar, que ocorre naturalmente ao longo de centenas de milhões de anos, provocará uma série de reações químicas que comprometerão a presença de oxigênio na atmosfera do planeta, condição fundamental para a existência de vida complexa.

De acordo com a pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Toho e da Georgia Tech, o ciclo de vida do Sol faz com que ele queime o hidrogênio no seu núcleo, tornando-se progressivamente mais brilhante e quente. Este aquecimento natural acarreta a aceleração de reações químicas na Terra que sequestram o dióxido de carbono (CO2), elemento que ajuda a regular o clima e o ciclo de vida do planeta. Esses processos, por sua vez, provocam uma diminuição do gás oxigênio na atmosfera, levando a uma fase de desoxigenação que pode ser devastadora.

Segundo o estudo, a atmosfera com níveis de oxigênio acima de 1% dos valores atuais deve se manter por aproximadamente 1,08 bilhões de anos. Após esse período, a previsão é de que o planeta entre em um estágio crítico, com a atmosfera se tornando semelhante à época da Terra primitiva, há cerca de 2,5 bilhões de anos, quando a composição era marcada por altos níveis de metano e ausência de oxigênio. Nesse cenário, a camada de ozônio, que depende do oxigênio para se formar, deveria se dissolver completamente, expondo a superfície terrestre a radiações ultravioleta perigosas.

O processo de desoxigenação, conforme apontam os autores, será rápido e irreversível, levando à extinção quase total das condições necessárias à vida. Ainda nesta fase, a atmosfera voltaria a ser semelhante à de bilhões de anos atrás, com uma composição que impediria a sobrevivência de seres vivos complexos. Ainda não há confirmação oficial de que esse cenário seja inevitável, mas a pesquisa reforça a ideia de que, enquanto as ações humanas continuam combatendo os efeitos do aquecimento global, uma ameaça de escala muito maior se encontra nas forças naturais do próprio Sol.

Vale destacar que os cientistas Kazumi Ozaki, da Universidade Toho, e Christopher Reinhard, da Georgia Tech, enfatizaram que o estudo visa avaliar a viabilidade global da vida na Terra, não sendo uma previsão de impacto imediato ou certo, mas uma reflexão sobre um futuro possível em escala geológica. A comunidade científica aguarda novas confirmações, já que a única fonte até agora é uma divulgação da CNN Brasil, ainda sem confirmação de outros veículos ou órgãos oficiais às conclusões apresentadas.

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O que sabemos?

  • O envelhecimento do Sol aumentará a radiação solar em centenas de milhões de anos.
  • A atmosfera com oxigênio acima de 1% deve permanecer por aproximadamente 1,08 bilhões de anos.
  • A desoxigenação acelerada tornará a Terra similar à sua fase primitiva, há cerca de 2,5 bilhões de anos.
  • A camada de ozônio deve se destruir completamente, expondo a superfície a radiação ultravioleta altamente nociva.

Fontes

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