Nova pesquisa revela maior diversidade de plantas no Sul e Sudeste do Brasil
Estudo científico amplia conhecimento sobre o gênero Thaumatocaryon e alerta para risco de extinção
Uma pesquisa publicada na revista Phytotaxa descobriu que o número de espécies conhecidas de plantas do gênero Thaumatocaryon no Brasil triplicou, passando de 3 para 9. As espécies, todas atualmente ameaçadas, têm sua preservação em risco devido à degradação de seus ambientes naturais.
Uma recente pesquisa científica revelou que o número de espécies de plantas do gênero Thaumatocaryon, nativas do Sul e Sudeste do Brasil, é muito maior do que se pensava anteriormente. Segundo fontes que acompanharam o estudo, publicado na revista Phytotaxa, os cientistas identificaram agora nove espécies dessa planta, enquanto até cerca de um século atrás, apenas três eram reconhecidas oficialmente. Essa descoberta representa uma ampliação significativa do conhecimento sobre essa flora, que geralmente cresce em ambientes úmidos e abertos, como campos naturais, margens de rios, banhados e, menos frequentemente, às bordas de florestas.
A forma de identificação dessas novas espécies envolveu análises detalhadas de espécimes depositados em herbários nacionais e internacionais, além de expedições de campo realizadas nas regiões do Sul e Sudeste do Brasil. Entre as espécies recém-descobertas, seis são descritas como novas para a ciência, enquanto uma foi revalidada, o que indica que seu reconhecimento anterior foi atualizado após revisões acadêmicas. Segundo o pesquisador responsável pelo estudo, Luiz Funez, "a investigação revelou uma diversidade muito maior: o gênero agora passa a compreender nove espécies, incluindo um nome revalidado e seis espécies novas".
Uma informação preocupante, ainda não oficializada por todas as fontes, é que todas as espécies de Thaumatocaryon estão atualmente sob risco de extinção. Ainda de acordo com os pesquisadores, três dessas espécies podem já estar extintas devido à degradação dos biomas onde vivem e ao avanço agrícola na região. A destruição desses ambientes ameaça a sobrevivência dessas plantas, que fazem parte de um grupo de herbáceas geralmente associadas a áreas úmidas e abertas, menos habitualmente às bordas de florestas, podendo ainda ter uma história que remonta a uma dispersão maior no passado, desde a América do Norte até o Sul, antes de sofrerem extinções em várias regiões.
O gênero Thaumatocaryon pertence à família Boraginaceae, a mesma do confrei, e é representado atualmente por apenas esses dois gêneros na América do Sul — o outro é o Moritzia. Os registros fósseis indicam que essas plantas tiveram uma distribuição mais ampla na história geológica, mas atualmente encontram-se restritas ao sul do continente, com uma presença na cordilheira dos Andes. A novidade do estudo reforça a importância do reconhecimento da biodiversidade brasileira, que muitas vezes ainda não é totalmente documentada, especialmente quando se trata de espécies pequenas e de difícil observação.
Apesar de ainda não haver uma confirmação oficial de todas essas informações por entidades ambientais ou governamentais, a pesquisa aponta para a necessidade de uma atenção maior à conservação dessas espécies ameaçadas. A descoberta reforça o valor da pesquisa científica e do estudo detalhado de espécies que, por serem pequenas ou pouco conhecidas, podem passar despercebidas, mas desempenham papéis importantes nos seus ecossistemas e na biodiversidade geral do país.
O que sabemos?
- A pesquisa triplicou o número de espécies conhecidas de Thaumatocaryon, de 3 para 9.
- As novas espécies incluem 6 nomes novos e uma revalidação.
- Todas as espécies estariam ameaçadas de extinção, com 3 possíveis já extintas.
- O estudo foi publicado na revista Phytotaxa após análises de herbários e expedições.
- O gênero é exclusivo da América do Sul, com uma história de distribuição maior no passado.
Fontes
- G1 imprensa




