Ciência

Tecnologia e mistério no universo dos objetos mais distantes do sistema solar

Informações checadas ?

Primeiro estudo conjunto de telescópios revela detalhes inéditos sobre corpos congelados além de Netuno

Imagens representando objetos congelados no cinturão de Kuiper, com destaque para telescópios espaciais observando o universo distante.
Imagem: NASA

Pesquisadores usaram os telescópios Hubble e Webb para estudar corpos celestes minúsculos e pouco visíveis no cinturão de Kuiper, os objetos transneptunianos. Descobertas desafiam antigas hipóteses sobre colisões e formação planetária.

Recentemente, uma equipe de astrônomos utilizou uma combinação inovadora dos telescópios espaciais Hubble e James Webb para estudar os chamados objetos transneptunianos (TNOs), corpos congelados que orbitam além de Netuno e representam uma fase primordial na construção de planetas. Segundo informações divulgadas pela NASA, essa foi a primeira vez que essas duas plataformas trabalharam juntas para observar esses corpos tão distantes e faintos, muitos deles mais de 100 milhões de vezes menos brilhantes que objetos visíveis a olho nu.

O estudo, divulgado em duas publicações na revista The Astronomical Journal, focou na análise de 27 TNOs, com atenção especial às suas cores, tamanhos e trajetórias orbitais. A equipe, composta por pesquisadores de universidades canadenses e norte-americanas, buscava entender se esses pequenos corpos guardam memórias de sua origem e história, inclusive quanto às colisões que poderiam ter alterado suas superfícies. Uma surpresa foi que as cores e características desses TNOs pequenos seguiram padrões semelhantes aos de seus irmãos maiores, sugerindo que eles não tiveram suas superfícies modificadas por impacto, como se pensava.

Segundo a pesquisadora Anastasia Morgan, liderança do estudo, essa descoberta é fascinante pois indica que esses objetos menores aparentemente “lembram” a composição original desde sua formação, resistindo às colisões que, teoricamente, deveriam ter mudado sua aparência. Além disso, os TNOs “quentes” e “frios”, classificados de acordo com suas órbitas, parecem preservar sua origem, mesmo após migrações causadas pelos movimentos de planetas como Urano e Netuno no passado do sistema solar.

Ainda que as conclusões estejam em estágio inicial e aguardem mais confirmações, esse trabalho ajuda a montar um quebra-cabeça maior sobre a história do nosso sistema solar e a formação de planetas. Como explicam os pesquisadores, esses corpos representam blocos de construção que não evoluíram até se tornarem mundos completos, mas carregam informações valiosas sobre o início do ambiente solar. A NASA destacou que, ao entender essas populações remanescentes, os cientistas podem aprender mais sobre a época em que o sistema solar era uma nuvem de poeira e partículas que eventualmente se uniram para formar os planetas.

Até o momento, o estudo da equipe ainda não foi confirmado oficialmente por outras fontes externas à NASA, e os detalhes completos da pesquisa continuam sendo aguardados. Mas o avanço já reacende o interesse na compreensão de processos primitivos no universo, usando as mais modernas ferramentas de observação espacial.

Publicidade

O que sabemos?

  • NASA usou os telescópios Hubble e Webb conjuntamente pela primeira vez para estudar objetos distantes do sistema solar.
  • Foram analisados 27 corpos congelados, chamados objetos transneptunianos (TNOs).
  • As cores e tamanhos desses pequenos corpos parecem preservados, mesmo após avaliações sobre colisões passadas.
  • Estudos sugerem que esses corpos não sofreram alterações superficiais significativas por impacto.
  • Descobertas ajudam a entender os processos de formação e origem dos planetas no sistema solar.

Fontes

Publicidade