Cientistas mapeiam atividade gênica no cérebro e revelam novas pistas sobre doenças neurodegenerativas
Estudo detalha alterações no córtex pré-frontal ao longo da vida e identifica diferenças em condições como Alzheimer e Parkinson
Pesquisa publicada na revista Nature analisa mais de 6,3 milhões de células cerebrais de doadores falecidos de diferentes idades, investigando padrões de atividade gênica e suas mudanças com o envelhecimento e doenças.
Cientistas do Centro de Neurogenômica de Doenças, ligado à Escola de Medicina Icahn do Mount Sinai, publicaram nesta quarta-feira (23) uma extensa pesquisa que mapeia a atividade gênica no córtex pré-frontal do cérebro humano. Este órgão, localizado atrás da testa, é fundamental para funções como planejamento, tomada de decisões, regulação emocional e adaptação comportamental. O estudo, realizado com base na análise de mais de 6,3 milhões de células cerebrais de 1.494 doadores falecidos com idades entre a infância e 108 anos, revelou padrões de atividade que mudam ao longo da vida e também diferenças específicas em indivíduos com doenças como Alzheimer, Parkinson, esquizofrenia e transtorno bipolar.
Segundo os autores, a pesquisa identificou a idade de 24 anos como um marco de transição no funcionamento celular do cérebro. Após essa idade, a maioria das células apresenta uma maior estabilidade na atividade gênica, ou seja, os padrões de expressão genética se tornam mais consistentes. Ainda de acordo com o estudo, em idosos, os padrões relacionados ao relógio biológico — que regula o ciclo sono-vigília e outros processos temporais — aparecem mais fracos, indicando uma possível deterioração nesses mecanismos com o envelhecimento. Além disso, os pesquisadores observaram maior variação biológica em doadores com Alzheimer, sugerindo que certas mudanças genéticas podem estar associadas ao avanço da doença, embora ainda não tenham confirmado uma relação de causa e efeito.
O estudo também destacou que diferentes tipos celulares no cérebro, incluindo neurônios, células imunológicas conhecidas como micróglia e células de suporte, apresentam alterações específicas ao longo do tempo, muitas delas relacionadas a doenças neurodegenerativas. Segundo o pesquisador responsável, essas informações ajudam a entender onde ocorrem as alterações mais relevantes e quais processos moleculares devem ser investigados com mais precisão. "Juntos, esses estudos ajudam a explicar onde ocorrem as alterações relacionadas às doenças e quais processos biológicos merecem uma investigação mais aprofundada", afirmou ele, ressaltando que o mapa criado pelos cientistas pode orientar futuras terapias, identificando populações celulares vulneráveis ou processos de preservação cerebral.
Apesar de os resultados fornecerem avanços importantes na compreensão do envelhecimento cerebral e das doenças que dele decorrem, a pesquisa publicada ainda não foi confirmada por outras fontes, e o estudo completo está disponível na revista Nature. Cientistas de outras instituições aguardam confirmações adicionais para validar as conexões entre os padrões genéticos observados e o desenvolvimento de tratamentos eficazes. A investigação, contudo, reforça o potencial de novas abordagens terapêuticas que atuem nos processos moleculares específicos, visando melhorar a qualidade de vida de quem sofre com tais condições, além de aprofundar o entendimento sobre o funcionamento do cérebro humano ao longo da vida.
O que sabemos?
- Mapeamento da atividade gênica no córtex pré-frontal de mais de 6,3 milhões de células cerebrais
- Idade de 24 anos marcada como ponto de transição na estabilidade celular cerebral
- Diferenças na atividade gênica entre doadores saudáveis e com doenças como Alzheimer e Parkinson
- Alterações nos padrões do relógio biológico e na atividade gênica de idosos
Fontes
- G1 imprensa





