Ciência

Experimento de obediência de Milgram: lições surpreendentes sobre comportamento humano

Em apuração ?

Estudo clássico revela como pessoas comuns podem cometer atos extremos ao seguir ordens

Homens participando de experimento de obediência na Universidade Yale
Imagem: BBC News Brasil

Uma pesquisa realizada na década de 1960 na Universidade Yale evidenciou até que ponto a obediência pode levar indivíduos a ações brutais, mesmo sem intenção de causar danos.

Em junho de 1961, um anúncio convidando pessoas comuns a participar de um estudo na Universidade Yale chamou atenção pelo seu formato aparentemente simples. Segundo a fonte do caso, o anúncio publicado no jornal The New Haven Register indicava que operários, barbers, homens de negócios e outros profissionais poderiam receber US$ 4,00 (cerca de R$ 20 na cotação da época) por uma hora de participação, sem necessidade de formação específica. O objetivo declarado era testar a memória, mas, na prática, tratava-se de um experimento sobre obediência e crueldade.

De acordo com relatos, quarenta homens participaram da fase inicial do estudo, que envolvia aprender palavras e administrar choques elétricos em um estranho, supostamente com níveis potencialmente letais. Ainda não confirmado oficialmente, sabe-se que a maioria deles, 26 ao todo, ou 65%, chegou a aplicar o nível máximo do choque, mesmo quando a vítima — uma pessoa que estava de fato participando do experimento, mas que na verdade era um ator — implorava para ser libertada ou apresentava condições cardíacas. Estes participantes não tinham ideia de que os choques eram simulados e que tudo fazia parte de uma manipulação. O estudo, liderado pelo então professor Stanley Milgram, tinha como foco entender por que indivíduos obedecem a ordens que podem causar grande sofrimento.

Desde sua execução, a pesquisa de Milgram se tornou uma das mais famosas na história da psicologia, sobretudo por revelar a tendência surpreendente de pessoas comuns agirem com crueldade sob influência de uma figura de autoridade. Para ilustrar o impacto, a partir de versões modificadas do experimento, estudos posteriores indicaram que até 70% dos participantes obedeceram até o final, atingindo o nível máximo de choque, mesmo com a vítima em situação de desespero. Nesse contexto, é importante destacar que o que se busca entender é justamente como e por que o ser humano, considerado normalmente bondoso, pode assumir comportamentos tão extremos.

Pesquisadores como o professor Jerry Burger, da Universidade de Santa Clara, testaram versões do experimento em 2009 e ficaram igualmente impressionados. Apesar de desejar uma confirmação de que os resultados se mantinham similares aos de Milgram originalmente, observou-se que 70% dos participantes obedeceram até o último nível de choque, com ambos os gêneros (homens e mulheres) reagindo de forma semelhante. Segundo ele, era “meio que inacreditável” ver pessoas aparentemente normais exercerem tamanha obediência às ordens,Pressionadas por uma figura de autoridade no ambiente de laboratório. Ainda assim, estudos atuais buscam entender os fatores que poderão ajudar na resistência a esse tipo de influência, principalmente na sociedade moderna, em que o comportamento humano ainda suscita muitas perguntas.

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O que sabemos?

  • O experimento foi originalmente conduzido na Universidade Yale em 1961.
  • Quarenta homens participaram da fase inicial, com a maioria chegando ao nível máximo de choque.
  • Estudos posteriores indicaram que cerca de 70% dos participantes obedeceram até o final, mesmo após críticas ao método.
  • A pesquisa revelou como pessoas comuns podem agir de forma brutal ao seguir ordens de uma autoridade.

Fontes

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