Estudo revela presença de substâncias tóxicas em maioria dos resíduos reciclados em Sorocaba
Pesquisa aponta riscos à saúde e ao meio ambiente relacionados a resíduos de eletroeletrônicos e plásticos
Pesquisadores da Unesp analisaram mais de 200 amostras de resíduos de reciclagem em Sorocaba e encontraram substâncias químicas potencialmente perigosas presentes na maioria delas.
Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Sorocaba (SP), revelou uma preocupação crescente no cenário da gestão de resíduos no Brasil. Segundo o estudo, 95% das 207 amostras coletadas e analisadas continham substâncias tóxicas, especialmente retardantes de chama bromados, utilizados para diminuir a propagação do fogo em diversos produtos, como eletrônicos e materiais de isolamento. Ainda não oficial, a pesquisa faz parte de um estudo de cinco anos conduzido pelo Instituto de Ciência e Tecnologia da Unesp, em parceria com a Universidade de Birmingham, no Reino Unido.
De acordo com os pesquisadores, esses compostos químico-toxicológicos podem causar danos à saúde humana, incluindo alterações hormonais e risco de câncer, além de afetar sistemas reprodutivos. O professor André Henrique Rosa, coordenador do estudo, afirmou que "essas substâncias podem provocar câncer de tireoide, mamas, intestino, testículos, fígado, enfim. São realmente prejudiciais".
As amostras foram coletadas em diferentes locais de processamento de resíduos, incluindo um centro de desmanche de veículos, um aterro sanitário e associações de reciclagem. Entre os materiais analisados estavam pedaços de espuma, plástico, isopor e componentes eletrônicos, especialmente os aparelhos mais antigos, que apresentaram concentrações maiores desses contaminantes. Os resíduos foram submetidos a processos de separação, trituração e extração com solventes, para identificar a presença dos compostos químicos.
O estudo também destacou a preocupação com a reincorporação desses resíduos ao ciclo produtivo. Segundo o doutorando David Burgos Melo, uma das intenções da pesquisa foi compreender como as poliasmetálicas podem retornar ao mercado brasileiro mesmo após o fim de seu ciclo de vida, potencialmente levando esses contaminantes para novos produtos. "Algumas características desses materiais permitem que eles permaneçam nos resíduos ao longo do tempo, inclusive durante processos de reaproveitamento", explicou. Contudo, ainda não há confirmação de que esses resíduos contaminados estejam efetivamente sendo utilizados na fabricação de novos itens, mas a possibilidade existe, elevando o risco de contaminação do meio ambiente e da cadeia de consumo.
Segundo informações ainda não confirmadas oficialmente, a questão é de extrema relevância para a saúde pública, já que resíduos eletrônicos e plásticos descartados de forma irregular ou de baixa qualidade podem conter esses compostos perigosos e serem reaproveitados indevidamente, retornando ao ciclo de consumo. Essas substâncias, ainda segundo os pesquisadores, podem permanecer nos materiais mesmo após o descarte e serem liberadas na natureza ou durante o processamento de reciclagem.
O que sabemos?
- Pesquisa identificou substâncias tóxicas em 95% das amostras de resíduos analisadas.
- Os resíduos estudados incluem materiais como espuma, plástico, isopor e componentes eletrônicos antigos.
- As substâncias encontradas são retardantes de chama bromados, potencialmente cancerígenos e hormonais.
- O estudo foi conduzido ao longo de cinco anos por pesquisadores da Unesp e da Universidade de Birmingham.
- A preocupação é com o reaproveitamento desses resíduos na fabricação de novos produtos, permitindo a reentrada de contaminantes no mercado.
Fontes
- G1 imprensa





