Estudo brasileiro revela riscos de contaminação por resíduos plásticos descartados
Pesquisadores identificam substâncias tóxicas em materiais de descarte que podem afetar saúde e meio ambiente
Um estudo da Unesp aponta que resíduos de plásticos e espumas descartados podem conter compostos nocivos, ligados ao câncer, presentes em diversos materiais usados na indústria. A descoberta alerta para os perigos da reciclagem sem análise química adequada.
Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros do Instituto de Ciência e Tecnologia da Unesp, em Sorocaba, revelou a presença de substâncias químicas potencialmente tóxicas em resíduos sólidos descartados e utilizados por diferentes setores. Segundo a pesquisa, materiais como plásticos e espumas, que muitas vezes ainda podem ser reaproveitados, contêm altos níveis de compostos usados antigamente na indústria, conhecidos como ésteres organofosforados clorados, incluindo o tris(1-cloro-2-propil)fosfato (TCIPP), TDCIPP e TCEP. Essas substâncias eram empregadas como retardantes de chamas e plastificantes em produtos como móveis estofados, colchões, eletrônicos, artigos infantis e materiais de isolamento na construção civil, devido à sua estabilidade térmica e baixo custo, mas seu uso foi descontinuado por motivos de saúde.
A pesquisa, cujos resultados ainda não foram oficialmente confirmados por órgãos reguladores, envolveu a análise de 207 amostras de resíduos de diferentes categorias, como materiais de construção, veículos em fim de vida útil, artigos de estofados e itens infantis, coletadas na região metropolitana de Sorocaba. Segundo o engenheiro ambiental da Unesp, responsável pelo trabalho, 95% dessas amostras continham pelo menos um desses compostos em baixas concentrações, porém, 13 delas apresentaram níveis considerados preocupantes. Ele explicou que esses compostos podem ser liberados na poeira ou no contato direto com os objetos, além de serem inalados ou ingeridos por quem estiver em ambientes contaminados, o que coloca em risco a saúde pública.
De acordo com o estudo, esses químicos possuem potencial de ação tóxica, podendo afetar o sistema endócrino e reprodutivo e até favorecer o desenvolvimento de câncer. Ainda não há confirmação de que esses resíduos possam representar uma ameaça direta à população, mas o alerta foi feito a partir de evidências de que materiais descartados frequentemente entram na cadeia de reaproveitamento industrial, aumentando o risco de contaminação involuntária. Como o Brasil gera cerca de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano — sendo o segundo maior gerador das Américas —, o impacto dessa contaminação potencialmente se amplia, especialmente na reciclagem e reuso de materiais.
O estudo contou com o apoio da Fapesp, por meio de projetos coordenados por um professor responsável, e reforça a necessidade de uma análise química antes de qualquer procedimento de reciclagem de resíduos contendo esses materiais. Ainda não há, porém, uma resolução oficial ou política pública confirmada até o momento, e o clube não se pronunciou oficialmente sobre o tema. Na prática, a descoberta sugere que, caso materiais contendo esses compostos sejam reutilizados sem a verificação adequada, pode haver um risco involuntário de exposição a substâncias que, além de prejudiciais ao meio ambiente, têm potencial de causar sérios danos à saúde.
O que sabemos?
- Estudo da Unesp encontrou compostos tóxicos em resíduos de plásticos e espumas descartados.
- 17 amostras de resíduos apresentaram níveis preocupantes de substâncias químicas potencialmente cancerígenas.
- Materiais analisados incluem resíduos de construção, veículos usados, artigos infantis e estofados.
- Ainda não há confirmação oficial sobre o impacto direto na saúde pública.
- O estudo reforça a importância de análise química antes da reciclagem de resíduos industriais.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




