Ciência

Estudo revela rede de comércio de cobre da Sardenha na Idade do Bronze

Em apuração ?

Pesquisas indicam conexões comerciais que alcançavam regiões distantes da Europa e do Mediterrâneo

Objeto arqueológico de cobre da Sardenha com conexões distantes
Imagem: Aventuras na História

Uma nova pesquisa aponta que a ilha da Sardenha, na Idade do Bronze, tinha uma rede comercial mais ampla do que se imaginava, envolvendo metais, cerâmicas e trocas culturais com lugares como a Grã-Bretanha, Escandinávia e o oriente do Mediterrâneo.

Segundo uma pesquisa ainda não confirmada oficialmente, a ilha da Sardenha, na Itália, foi uma peça-chave em uma extensa rede de comércio durante a Idade do Bronze. A análise de isótopos de chumbo e metais em objetos arqueológicos revelou que o cobre produzido na ilha tinha destinizações que alcançavam regiões distantes do Mediterrâneo, como a Grã-Bretanha, a Polônia e a Escandinávia. Esses resultados sugerem que a circulação de metais naquela época não era unidirecional, mas envolvia troca mútua, com objetos produzidos na Sardenha também chegando a comunidades em pontos diversos do Mediterrâneo oriental e europeu.

Segundo o estudo, entre os séculos 14 e 13 a.C., cerâmicas nurágicas — tipicamente produzidas na ilha — foram encontradas em assentamentos na Sicília, Creta e Chipre. Achados como tigelas nurágicas em Mozia, na Sicília ocidental, e em Minet el Beida, na costa levantina próxima a Ugarit, reforçam a presença de conexões além das fronteiras locais. O uso de análises químicas e de isótopos também indicam que o chumbo presente em naufrágios ao longo da costa de Carmel, atual Israel, veio de fontes na Sardenha, comprovando o envolvimento da ilha na rota marítima do comércio de metais naquela época.

Além das trocas de metais, o estudo aponta que os habitantes da ilha utilizavam tanto minérios locais quanto materiais importados, indicando um sistema de comércio de mão dupla. A partir de aproximadamente 1200 a.C., houve mudanças nas redes comerciais, com o envolvimento de ares de contato mais intenso com a Península Ibérica, o Norte da África e o centro da Itália. Entre os séculos 12 e 10 a.C., cerâmicas sardas chegaram à Península Ibérica, enquanto objetos do oeste europeu também circulavam pela ilha. Os metais, por sua vez, mostraram-se presentes em locais como as Ilhas Baleares e na própria Sardenha, que recebia cobre ibérico, confirmando as trocas comerciais de ambos os lados.

Pesquisa realizada há mais de 40 anos com análise de isótopos de chumbo reforça que a Sardenha foi uma importante produtora de cobre e chumbo na Idade do Bronze. Ainda que as escavações para identificar minas ou extrações de minerais na ilha não tenham sido conclusivas até o momento, o grande volume de objetos e lingotes encontrados na região sugere uma forte presença de fontes de minério locais. Técnicas avançadas de análise químicas, incluindo isótopos de ósmio, ajudam a distinguir esses minérios sardos de outros depósitos semelhantes encontrados em diferentes regiões, o que fortalece essa hipótese. Curiosamente, também se sabe que os metalúrgicos nurágicos tinham acesso a estanho de fora da ilha, chegando a produzir objetos feitos de estanho puro, um material raro na época.

O estudo levanta, entretanto, uma questão ainda não esclarecida: se as comunidades estrangeiras buscavam principalmente o cobre da Sardenha ou se sua circulação fazia parte de um fluxo de diversos produtos comerciais. Além disso, há indicações de que alguns habitantes da ilha poderiam ter viajado para outras regiões, levando cerâmicas, estatuetas de bronze, barcos em miniatura e outros objetos para além da Sardenha, reforçando a ideia de mobilidade e troca cultural naqueles séculos.

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O que sabemos?

  • A Sardenha produzia cobre na Idade do Bronze.
  • O cobre sardo alcançou regiões do Mediterrâneo, Europa e Oriente Médio.
  • Cerâmicas nurágicas foram encontradas em vários pontos do Mediterrâneo oriental.
  • A ilha participava de uma rede comercial de troca de metais, cerâmicas e objetos culturais.

Fontes

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