Ciência

Estudo revela 'piscinas da morte' no fundo do Mar Vermelho e seu potencial para entender os primórdios da vida na Terra

Em apuração ?

Formações extremas de sedimentos e metais podem oferecer pistas sobre as primeiras formas de energia utilizada por micro-organismos bilhões de anos atrás

Imagem do fundo do Mar Vermelho mostrando as sedes e formação de minerais e microrganismos em ambiente extremo
Imagem: Revista Galileu

Pesquisadores estudaram ambientes extremos no fundo do Mar Vermelho, onde ambientes extremamente salinos e sem oxigênio abrigam microrganismos antigos que podem esclarecer os processos energéticos dos primeiros habitantes do planeta.

Uma nova pesquisa, ainda sem confirmação oficial de outras fontes, revelou detalhes intrigantes sobre as chamadas 'piscinas da morte' do fundo do Mar Vermelho, ambientes que parecem climas extremos, com alta salinidade, ausência de oxigênio e condições que lembram os oceanos primitivos, há bilhões de anos.

Segundo fontes da equipe de Morgan Chakraborty, a piscina ativa, localizada a aproximadamente 1.770 metros de profundidade, é composta por sedimentos ricos em minerais como manganês, ferro, molibdênio e cobre, com concentrações que ultrapassam 100 vezes as de áreas sem essas formações. Além disso, essa piscina apresenta microrganismos capazes de oxidar manganês, como os do gênero Nitrospira, que podem transformar esses metais em fontes de energia. Ainda conforme o estudo, há uma área suspeita de ter sido uma 'piscina extinta', a cerca de 1.4 mil metros de profundidade, evidenciada por anéis minerais ao redor de uma depressão cheia de organismos mortos, com padrão semelhante de enriquecimento metálico.

O levantamento, realizado por análise da composição geoquímica dos sedimentos e matéria orgânica, sugere que processos de oxidação microbiana de manganês e ferro podem ter sido as principais fontes de energia para esses micro-organismos antes do evento conhecido como Grande Oxidação, há cerca de 2,4 bilhões a 2,2 bilhões de anos. Essa transformação do planeta, que elevou os níveis de oxigênio na atmosfera, teria mudado radicalmente as formas de sobrevivência na Terra primitiva.

De acordo com os pesquisadores, a presença dessas assinaturas químicas pode ajudar a interpretar registros fósseis e sedimentares preservados em rochas antigas, ampliando o entendimento sobre como os primeiros seres vivos sobreviviam e se alimentavam na ausência de oxigênio. Ainda que os estudos estejam em fases iniciais, há a possibilidade de que as condições que propiciaram a riqueza de metais nos oceanos primitivos tenham funcionado independentemente da fotossíntese que produz oxigênio, o que amplia as hipóteses sobre as fontes de energia de organismos primitivos.

As descobertas, divulgadas inicialmente na revista Galileu, ainda aguardam validação e mais aprofundamento para entender se esses ambientes extremos realmente representavam um cenário comum na Terra antiga. Ainda assim, o estudo trouxe insights valiosos para a ciência, ao sugerir que ambientes com alta concentração de metais e ainda não completamente explorados pelo homem podem ter produzido formas de energia fundamentais para o desenvolvimento das primeiras formas de vida na história do planeta.

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O que sabemos?

  • O estudo analisou sedimentos no fundo do Mar Vermelho, a diferentes profundidades.
  • Piscinas de salmoura ativas e extintas apresentaram enriquecimento sério em metais como manganês, ferro e molibdênio.
  • Microrganismos capazes de oxidar manganês foram encontrados na piscina ativa.
  • Resultados sugerem que processos como a oxidação de metais podem ter alimentado formas de vida antes do aumento do oxigênio na Terra.

Fontes

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