Ciência

Tecnologia ajuda a decifrar pergaminhos de Herculano queimados há quase 2.000 anos

Em apuração ?

Cientistas usam raios X e inteligência artificial para ler escritos antigos preservados na Itália

Imagem ilustrativa de raios X iluminando um pergaminho antigo
Imagem: CNN Brasil

Pesquisadores estão aplicando novas tecnologias para desvendar textos escritos em pergaminhos carbonizados de Herculano, cidade destruída pelo Monte Vesúvio em 79 d.C. essa iniciativa pode revelar conhecimentos perdidos há séculos.

Desde que os primeiros pergaminhos de Herculano foram descobertos, muito se questionou sobre a possibilidade real de ler seus textos devido à sua condição fragmentada e carbonizada. Agora, uma equipe de cientistas está utilizando avanços em tecnologia de raios X e inteligência artificial para buscar uma solução inovadora. Segundo uma fonte que acompanha as pesquisas, o método consiste em criar imagens virtuais dos pergaminhos, que permanecem imbricados e frágeis, evitando assim qualquer dano físico aos artefatos originais.

De acordo com essa fonte, a maior dificuldade está na tinta utilizada na escrita, composta majoritariamente por fuligem de carbono, que é praticamente igual ao papel em que foi escrita. Essa composição faz com que a tinta seja difícil de distinguir do fundo, especialmente em pergaminhos sem introdução de metais na tinta. Ainda assim, os pesquisadores descobriram que, ao introduzir chumbo na composição da tinta artificialmente, ela passa a refletir raios X de modo que a inteligência artificial consegue detectar onde estão as palavras escritas. Segundo o pesquisador principal, Douglas Seiler, da Universidade da Califórnia, Berkeley, se os pergaminhos originais contiverem mesmo chumbo, uma análise rápida e não invasiva poderia determinar isso, facilitando o trabalho de decifração.

Até o momento, já foram decifrados um pergaminho completo e trechos de outros usando essa técnica, que faz parte de um projeto chamado Desafio Vesúvio. O projeto, que foi lançado em 2023, incentiva os pesquisadores a desvendarem esses escritos antigos em troca de prêmios financeiros. Ainda assim, há mais de 600 pergaminhos fechados na Biblioteca Nacional de Nápoles, muitos deles bastante danificados ou em fragmentos, dificultando a leitura convencional. A esperança é que a descoberta de vestígios de chumbo possa acelerar as próximas tentativas de leitura virtual desses documentos.

Além de usar computadores, a equipe recriou pergaminhos semelhantes ao de Herculano com tinta similar à que teria sido usada na antiguidade. Essa experiência ajuda a compreender melhor o processo de leitura por análise de raios X. Segundo Seiler, estudos anteriores já identificaram a presença de chumbo na tinta de pergaminhos antigos, algo que teria sido uma adição intencional dos escribas na época. Assim, os pesquisadores apostam que, ao localizar metal nas análises futuras, poderão determinar quais pergaminhos oferecem maior chance de decifração sem necessidade de desenrolar fisicamente os documentos, preservando sua integridade.

O que se sabe até o momento é que essa tecnologia oferece um novo horizonte de possibilidades para o estudo de textos históricos raros e frágilmente preservados. Ainda não há confirmação oficial de que todos os pergaminhos de Herculano terão seus textos recuperados, mas o avanço representa uma esperança significativa para historiadores e arqueólogos. O estudo dessas relíquias, que permanecem guardadas há quase dois milênios, pode revelar segredos sobre a vida na antiga Roma e sobre a própria história de Pompeia, enterrada sob a cinza e agora acessível através da ciência.

Publicidade

O que sabemos?

  • Pesquisadores usam raios X e inteligência artificial para decifrar pergaminhos de Herculano.
  • Até agora, um pergaminho completo e alguns trechos foram decifrados virtualmente.
  • A técnica pode acelerar a leitura de mais de 600 pergaminhos frágeis, guardados na Biblioteca Nacional de Nápoles.
  • A presença de chumbo na tinta ajuda a detectar onde há escrita, facilitando os estudos.
  • Projeto chamado Desafio Vesúvio incentiva pesquisas com prêmios em dinheiro.

Fontes

Publicidade