Ciência

Estudo revela que mudanças climáticas preocupam mais que perda de empregos no Brasil

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Pesquisa destaca que 41% dos brasileiros consideram o clima como maior ameaça futura, apesar de ainda não ser prioridade no momento

Ilustração de mudanças climáticas e dados de pesquisa
Imagem: Agência Brasil

Uma pesquisa do Instituto Oyá, em parceria com a Ipsos, mostra que a maioria dos brasileiros está mais preocupada com as mudanças climáticas do que com questões econômicas atuais, embora esse tema ainda ocupe uma posição distante na lista de preocupações imediatas.

Segundo uma pesquisa inédita do Instituto Oyá, em parceria com a Ipsos, as mudanças climáticas estão ganhando destaque na percepção de perigo para o Brasil, sendo consideradas a maior ameaça para o futuro por 41% dos brasileiros. O estudo, divulgado nesta semana e intitulado 'Termômetro do Brasil', ouviu 2 mil pessoas em diferentes regiões do país, buscando compreender quais assuntos preocupam mais o população, tanto para o futuro quanto para o momento presente.

Apesar dessa preocupação com o clima, ela ainda não aparece entre as principais inquietações atuais. Quando questionados sobre os principais problemas do momento, apenas 14% citaram as mudanças climáticas, ocupando o nono lugar na lista de prioridades, enquanto ameaças ambientais aparecem em décimo, com 10%. Assim, a pesquisa aponta que o Brasil se encontra na 20ª colocação entre os países mais preocupados com o tema, numa escala global.

A diretora executiva do Instituto Oyá, Camila Kamilo, revelou que um dos aspectos mais alarmantes da pesquisa foi o alto índice de desinformação: 78% dos brasileiros não sabem distinguir notícias verdadeiras das fake news, inclusive sobre eventos climáticos extremos. Além disso, ela destacou que 81% dos participantes demonstram receio do uso de tecnologias como deepfakes e inteligência artificial para manipulação de imagens e áudios. Camila acrescentou que há uma confiança considerável na tecnologia, com 67% das pessoas confiando nela, enquanto 65% desconfiam dos governos.

Para a especialista, essa perda de confiança nas instituições é preocupante, especialmente em um momento de incerteza econômica e social. Acredita que essa desconfiança faz com que muitos aceitem informações falsas semQuestionar, o que potencializa a disseminação de fake news, não só relacionadas ao clima, mas também a outras áreas. Ela também observou que o engajamento social, sobretudo nas redes sociais, tem sido mais passivo, com as pessoas consumindo conteúdo de forma distante e sem participação ativa. Por isso, ela defende a necessidade de políticas públicas e novas formas de comunicação para garantir que informações corretas cheguem à sociedade.

Outro dado relevante é que, apesar da desconfiança nas instituições tradicionais, 45% dos brasileiros ainda acreditam em organizações não governamentais, o que, na visão de Camila Kamilo, reforça a importância de fortalecer essas entidades e a imprensa na disseminação de notícias verificadas. Ainda sobre o cenário político, a pesquisa indica que uma parcela significativa da população também apresenta afastamento do engajamento partidário: 39% não pretendem atuar em campanhas ou partidos, e 33% rejeitam a participação em protestos de rua, evidenciando uma postura de afastamento do ativismo tradicional.

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O que sabemos?

  • 41% dos brasileiros consideram mudanças climáticas a maior ameaça futura
  • apenas 14% citam as mudanças climáticas como problema atual
  • 78% das pessoas não sabem diferenciar fake news de notícias verdadeiras
  • 81% temem uso de deepfakes e IA para manipulação de imagem e voz
  • 45% dos brasileiros confiam em ONGs, mas há desconfiança nas instituições tradicionais

Fontes

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