Ciência

Estudo brasileiro revela maior vulnerabilidade do cabelo descolorido ao calor

Em apuração ?

Procedimentos químicos como descoloração e alisamento deixam os fios mais sensíveis a altas temperaturas

Cabelo com fios descoloridos e alisados sob luz de secador
Imagem: Revista Galileu

Pesquisa do Instituto de Física da USP mostra que cabelos que passam por descoloração e alisamento reagem de forma mais agressiva ao calor. O estudo, publicado na revista Biopolymers, detalha as alterações na estrutura do cabelo e as implicações dessa combinação.

Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) trouxe à tona uma descoberta importante para quem gosta de usar secador, chapinha ou outros equipamentos de alta temperatura nos cabelos. Segundo a pesquisa, cabelos que passam por processos químicos como descoloração e alisamento ácido (popularmente conhecido como progressiva) tornam-se mais vulneráveis ao calor. A investigação, publicada na revista científica Biopolymers, revela que esses tratamentos alteram tanto a superfície quanto a estrutura interna dos fios, tornando-os mais frágeis e suscetíveis a danos adicionais.

Para entender esses efeitos, os cientistas compararam três tipos de cabelo: virgem, descolorido e tratado com alisamento, além daqueles que passaram pelos dois procedimentos. Depois, as amostras foram expostas a diferentes temperaturas e analisadas por técnicas avançadas de microscopia eletrônica, espalhamento de raios X e espectroscopia de infravermelho, que permitem detectar mudanças internas e superficiais nos fios. Segundo a pesquisa, a principal alteração acontece na estrutura do córtex, a camada mais resistente do cabelo, composta por queratina e melanina, responsável pela força, elasticidade e cor dos fios.

De acordo com o especialista ouvido na pesquisa, o córtex possui grânulos de melanina que conferem pigmentação ao cabelo. Essas partículas podem ser degradadas pelo procedimento de descoloração, que precisa atingir essa camada para oxidar a melanina. Esse processo provoca danos, que se manifestam na formação de cavidades internas, aumentando a porosidade do fio e a sua fragilidade. A novidade do estudo foi acompanhar como essas cavidades evoluem em diferentes temperaturas, indicando que os cabelos descoloridos ou com alisamento sofrem deformações internas mais severas ao serem aquecidos, tornando-se pontos de vulnerabilidade na fibra capilar.

Segundo os autores, esse tipo de dano é agravado quando os tratamentos químicos são combinados, como na presença simultânea de descoloração e alisamento. A perda de melanina e a formação de cavidades causam uma estrutura mais porosa, que aumenta o risco de quebras e de danos visíveis ao uso frequente de calor. Ainda não há confirmação oficial ou fontes distintas que corroboram integralmente esses resultados, e a pesquisa foi divulgada apenas na revista científica, aguardando mais validações.

Especialistas alertam que, além do impacto na estética, essas alterações podem afetar a saúde dos fios a longo prazo. Dieletricidade, elasticidade e resistência do cabelo ficam comprometidas, aumentando a necessidade de cuidados extras. A pesquisa reforça a importância de entender os limites ao usar altas temperaturas em cabelos tratados quimicamente, sobretudo aqueles que passaram por descoloração e alisamento, procedimentos cada vez mais comuns entre os brasileiros.

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O que sabemos?

  • Cabelos descoloridos e alisados estão mais vulneráveis ao calor.
  • O estudo foi realizado por pesquisadores do Instituto de Física da USP.
  • As análises mostraram alterações na estrutura interna do fio, como cavidades no córtex.
  • A combinação de descoloração e alisamento causa danos mais graves do que tratamentos isolados.

Fontes

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