Ciência

Projeto no Tocantins utiliza bebedouros com câmeras para monitorar animais silvestres do Cerrado

Em apuração ?

Iniciativa busca entender o comportamento de espécies nativas por meio de tecnologia instalada em área de reflorestamento

Bebedouro com câmera instalada em área de reflorestamento no Tocantins
Imagem: G1

Bebedouros com câmeras e comedouros foram colocados em uma região do sul do Tocantins para estudar a fauna local. A ação faz parte de uma compensação ambiental de uma empresa ferroviária, ajudando pesquisadores a acompanhar animais como onças, lobos-guarás e veados.

Um projeto no Tocantins que envolve a instalação de bebedouros com câmeras e comedouros na região sul do estado tem chamado atenção por sua abordagem inovadora na observação da fauna do cerrado. Segundo informações obtidas junto aos responsáveis pela iniciativa, esses dispositivos foram colocados em pontos estratégicos, com o objetivo de registrar e entender os hábitos de animais silvestres que vivem na região. As instalações, feitas em abril de 2026, fazem parte de uma ação de compensação ambiental promovida pela Rumo Logística, uma operadora ferroviária que atua no estado.

De acordo com o engenheiro florestal responsável pelo projeto, Guilherme Henrique, o sistema consiste em um buraco no chão de cerca de 50 a 60 centímetros de profundidade e um metro e meio de extensão, com capacidade para armazenar aproximadamente 200 litros de água, proveniente de pequenas represas próximas, a cerca de cinco quilômetros das instalações. Na frente do bebedouro, há também um comedouro para atrair aves e um dispositivo conhecido como câmera trap, ou armadilha fotográfica, que registra automaticamente qualquer movimento ou calor na área. Segundo Guilherme, a câmera é ativada por esses estímulos, permitindo capturar imagens do comportamento dos animais sem a presença de humanos.

Diversas espécies já foram monitoradas pelas câmeras, incluindo veado-mateiro, onças, lobos-guarás, além de aves como gaviões e corujas. Animais como a onça-pintada costumam ser vistas principalmente ao amanhecer ou ao entardecer, horários em que caçam. Já o lobo-guará e aves aparecem mais no final da tarde ou à noite, com imagens captadas por volta de duas horas da madrugada. Essas observações ajudam os pesquisadores a entenderem melhor os padrões de movimento e hábitos desses animais, essenciais para estratégias de conservação do bioma. região, além de monitorar as espécies, também se beneficia do movimento dos animais, que espalha sementes e água pelas áreas de reflorestamento. O biólogo e professor, Danival José de Souza, explica que a movimentação dos animais leva as sementes pelos seus trajetos, ajudando o crescimento de árvores típicas do cerrado, como a embaúba e o pau-jau, reforçando o processo de regeneração natural do local. Ainda segundo ele, a presença de animais também contribui para a dispersão de sementes que ficam potencializadas para germinar após passarem pelo trato digestivo, tornando-se uma estratégia natural de replantio.

Além da instalação, uma equipe responsável pela manutenção garante a limpeza e o funcionamento adequado dos bebedouros, em um esforço que é considerado fundamental pelo responsável, Juvenal Costa. Ele relata que, mesmo diante do calor e do clima seco do período, a rotina de manter os dispositivos limpos é essencial para o bem-estar dos animais. Todo esse trabalho, que envolve recursos materiais e humanos, demonstra o compromisso com a preservação do Cerrado, um bioma que enfrenta ameaças por causa do desmatamento e da expansão agrícola. Ainda não há confirmação oficial de que o projeto seja uma inovação mundial, mas a iniciativa tem despertado interesse por sua abordagem integrada entre tecnologia, conservação e reabilitação ambiental.

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O que sabemos?

  • Instalação de bebedouros com câmeras e comedouros no Tocantins começou em abril de 2026.
  • Sistema rastreia espécies como onças, lobos-guarás, veado-mateiro, aves, entre outros.
  • Água é fornecida por pequenas represas a cinco quilômetros da instalação, abastecendo os dispositivos com transporte semanal.
  • As câmeras trap registram atividades principalmente ao amanhecer, entardecer e durante a madrugada.
  • A iniciativa faz parte de uma ação de compensação ambiental da Rumo Logística.

Fontes

  • G1 imprensa
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