Estudo global com universidades brasileiras busca uma cura para hepatite B até 2030
Pesquisa liderada por universidade dos EUA envolve instituições do Brasil, África e Ásia
Um grande estudo internacional visa entender o comportamento do vírus da hepatite B e desenvolver tratamentos, com participação de universidades brasileiras. O projeto, que começou neste ano, deve durar cerca de cinco anos.
Um estudo global, liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, está mobilizando universidades públicas brasileiras para tentar encontrar uma cura para a hepatite B. Segundo fontes da pesquisa, a iniciativa envolve também instituições na Índia, Senegal e Uganda, além do Brasil, onde universidades como a Universidade de São Paulo (USP) e o Hospital Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes) estão participando.
A pesquisa, que ainda não foi oficialmente concluída, busca compreender o comportamento do vírus da hepatite B em diferentes populações ao redor do mundo, através de análises celulares e da resposta imunológica de pacientes infectados. Segundo a professora do Hucam-Ufes, Tânia Reuter, o foco é eliminar as hepatites virais como problemas de saúde pública, e, especificamente, erradicar a hepatite B no Brasil até 2030.
Desde julho deste ano, a equipe da Ufes começou o recrutamento de pacientes para o estudo, que deve envolver aproximadamente 600 indivíduos no total, incluindo casos de coinfecção por hepatite B e HIV. Até o momento, 40 participantes já estão em análise, e a previsão é completar o grupo até o final deste ano; o restante dos dados coletados até 2027 deve fornecer informações essenciais sobre a progressão do vírus em diferentes perfis genéticos.
Segundo as informações da fonte, cada paciente será avaliado por cerca de quatro anos e meio, a fim de identificar fatores que influenciam a evolução do vírus, assim como elementos genéticos que possam proteger contra a rápida progressão da doença. A pesquisa também pretende identificar partes específicas do vírus que possam servir de preditores para tratamentos ou cura, um passo importante para avançar no controle das hepatites virais.
Para entender a gravidade do problema, vale lembrar que a hepatite B é uma infecção inflamatória do fígado que pode evoluir para cirrose, câncer hepático e até a morte. A doença atinge cerca de 240 milhões de pessoas no mundo, incluindo aproximadamente 1,1 milhão de brasileiros com infecção crônica, de acordo com o Ministério da Saúde. A transmissão ocorre pelo contato com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas ou de mãe para filho durante o parto. Apesar de muitas pessoas não apresentarem sintomas, a doença pode estar ativa por anos, com o risco de dano irreversível ao fígado se não for detectada e tratada precocemente.
O estudo global tem como meta a eliminação da hepatite B no Brasil até 2030, alinhando-se às metas da Organização Mundial da Saúde de erradicar doenças virais como a hepatite, HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis. A vacina, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), continua sendo a principal estratégia de prevenção, mas a busca por tratamentos eficazes é uma prioridade mundial, que agora também ganha força com iniciativas como essa pesquisa em andamento.
O que sabemos?
- A pesquisa é liderada pela Universidade Johns Hopkins e envolve universidades do Brasil, Índia, Senegal e Uganda.
- No Brasil, as universidades participantes são a USP e o Hucam-Ufes.
- O estudo tem duração prevista de aproximadamente cinco anos.
- Até agora, 40 participantes estão em análise na Ufes, com expectativa de completar o grupo até o final do ano.
- Objetivo é eliminar a hepatite B como problema de saúde pública no Brasil até 2030.
Fontes
- CNN Brasil imprensa



