Ciência

Estudo revela que até 13% da personalidade humana tem origem genética

Em apuração ?

Pesquisa internacional analisa o impacto dos genes na formação de traços de personalidade

Representação ilustrativa de DNA com traços de personalidade ao redor
Imagem: Olhar Digital

Um vasto estudo aponta que os genes podem explicar até 13% das características de personalidade, como extroversão, amabilidade e neuroticismo, com variações entre os traços. A pesquisa envolveu milhões de participantes de diferentes países e trouxe dados que reforçam a influência genética nesse aspecto.

Um dos maiores estudos já realizados sobre a influência dos genes na personalidade humana revelou que, pelo menos em parte, nossos traços de caráter têm explicação genética. Segundo informações divulgadas por uma fonte especializada, a pesquisa analisou dados de milhões de pessoas de diferentes origens, incluindo ancestralidade europeia e africana, e identificou que até 13% da composição de traços como extroversão, amabilidade, conscienciosidade, neuroticismo e abertura a experiências podem ser atribuídos a fatores genéticos.

De acordo com a fonte, a análise envolveu dados de 46 grupos distintos, cada um contendo entre 611 mil e 1,14 milhão de participantes. Os pesquisadores também fizeram uso de genomas, ou seja, a soma do material genético de cada pessoa, para identificar variações específicas. Ao todo, foram encontradas 1.260 variantes genéticas, das quais 824, ou 65%, nunca haviam sido relacionadas à personalidade antes. Ainda segundo a fonte, para testar se esses efeitos realmente vinham dos genes e não do ambiente familiar, foi utilizado um conjunto de dados de parentes próximos, envolvendo cerca de 50 mil pessoas.

Os resultados mostraram que o peso genético variava de acordo com cada traço, sendo 9,3% para extroversão, 4,8% para amabilidade, 7,1% para conscienciosidade, 8,3% para neuroticismo e 7,4% para abertura a experiências. Quando considerados instrumentos de medição mais confiáveis, esse percentual para a extroversão pode chegar a 13,3%. Além disso, a pesquisa utilizou dados de uma ampla amostra de participantes dos Estados Unidos para associar variações genéticas a características percebidas por terceiros, como atratividade e cuidados na aparência. Pessoas com predisposição genética maior para extroversão, amabilidade e abertura tendiam a ser vistas como mais atraentes, enquanto aquelas com maior propensão à amabilidade e conscienciosidade eram percebidas como mais bem cuidadas.

Outro ponto apontado na pesquisa foi a relação entre genética e fatores comportamentais. Um trecho do estudo menciona que indivíduos com maior propensão genética para neuroticismo, principalmente quando combinada com menor amabilidade, apresentaram comportamentos de risco, como fugir de casa, ser suspenso na escola ou já ter apontado uma arma para alguém. Ainda segundo a fonte, num estudo com mais de 400 mil participantes do Reino Unido, perfis genéticos ligados à abertura a experiências estavam associados a maior probabilidade de residir em áreas urbanas e cosmopolitas aos 50 anos, enquanto os de maior conscienciosidade tendiam a morar em subúrbios de classe média-alta na mesma faixa de idade.

Os autores do estudo também utilizaram uma técnica estatística chamada randomização mendeliana, que ajuda a estabelecer relações de causa e efeito. Com ela, sugeriram que a extroversão, influenciada geneticamente, pode aumentar o risco de contrair Covid-19, enquanto a conscienciosidade estaria relacionada à redução do índice de massa corporal e menor probabilidade de iniciar o hábito de fumar. Porém, eles reforçam que os efeitos não são determinantes absolutos: um indivíduo pode ter uma predisposição genética, mas o ambiente também influencia fortemente sua personalidade e comportamentos. Ainda assim, a comparação entre a previsão genética dentro de famílias e em nível populacional mostrou que fatores ambientais compartilhados têm pouca influência nos traços de personalidade, sendo responsável por apenas até 4% desse componente, contra cerca de 60% para escolaridade e 80% para capacidades cognitivas. É importante destacar que a pesquisa ainda não foi confirmada oficialmente por outras fontes, e os cientistas destacam que esses números representam uma tendência geral, não uma regra definitiva.

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O que sabemos?

  • Os genes explicam até 13% dos traços de personalidade.
  • Foram analisados dados de milhões de participantes de diferentes países.
  • Foram identificadas 1.260 variantes genéticas, das quais 824 nunca antes associadas à personalidade.
  • A influência genética varia entre os traços, sendo maior na extroversão (até 13%) e menor na amabilidade (4,8%).

Fontes

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