Ciência

Estudo aponta que bancos de rodolitos abrigam cerca de 1% da vida marinha do Brasil

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Formações calcárias ajudam a diversificar os ecossistemas costeiros, mas ainda são pouco estudadas

Formação de rodolitos no fundo do mar, com presença de fauna marinha diversa
Imagem: Jornal da USP

Pesquisadores identificam os bancos de rodolitos como importantes habitats que contribuem para a biodiversidade marinha brasileira, embora sua proteção ainda seja precária.

Segundo uma pesquisa conduzida pelo Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os bancos de rodolitos, formações de algas calcárias de coloração avermelhada, podem albergar até 1% da vida marinha do Brasil. Essas estruturas, que se encontram no fundo do mar, especialmente na região do Banco de Abrolhos, na Bahia, e ao redor da Ilha da Queimada Grande, no litoral de São Paulo, desempenham um papel fundamental na manutenção da biodiversidade dos ecossistemas costeiros.

Ainda segundo o estudo, realizado por pesquisadores da Unifesp e do Instituto Oceanográfico da USP, os rodolitos são formados por algas vermelhas calcárias que depositam carbonato de cálcio em suas paredes celulares. Marinha Sissini, pós-doutoranda do Instituto Oceanográfico e uma das principais pesquisadoras do projeto, explicou que essas algas crescem em camadas sucessivas, semelhante às camadas de uma cebola, formando uma estrutura sólida e rígida. Ela destacou que, apesar de sua composição inorgânica, esses ambientes fornecem abrigo para diversos organismos, como caranguejos, peixes e outras macroalgas, além de atraírem animais maiores em busca de alimento.

De acordo com a pesquisadora, essa complexidade ecológica faz dos rodolitos uma peça-chave na cadeia alimentar marinha, ajudando a manter a biodiversidade e o ciclo de carbono nos oceanos. No entanto, as formações ainda são pouco estudadas, o que é atribuído à dificuldade de acesso devido à distância da costa e ao pouco interesse econômico no momento, uma vez que o carbonato de cálcio dessas estruturas tem aplicações na produção de fertilizantes, por exemplo. Marina Sissini alertou que o desconhecimento coletivo sobre esses ecossistemas não diminui sua importância. Ela ressaltou a necessidade de ampliar as pesquisas para entender melhor a quantidade de espécies que eles abrigam e seu papel na regulação do clima, especialmente em tempos de mudanças ambientais halladas em outros estudos das áreas.

Por outro lado, a pesquisadora também comentou sobre as ameaças que esses ambientes enfrentam, como a poluição por derramamentos de óleo — menciona uma ocorrência do ano passado — e atividades de exploração de gás e petróleo próximas às regiões de formação. Marina reforçou que esses fatores podem prejudicar as funções ecológicas dos bancos de rodolitos, dificultando sua capacidade de atuar como sumidouros de carbono. Ainda não há confirmações oficiais de que esses impactos tenham causado danos irreversíveis, mas o estudo evidencia a urgência de proteger esses ecossistemas pouco conhecidos e essenciais para a biodiversidade brasileira.

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O que sabemos?

  • Os bancos de rodolitos abrigam cerca de 1% da vida marinha do Brasil.
  • Formados por algas calcárias vermelhas, os rodolitos crescem em camadas semelhantes a uma cebola.
  • Eles fornecem abrigo para diversos organismos e contribuem para a biodiversidade costeira.
  • Ainda são pouco estudados devido à dificuldade de acesso e interesses econômicos.
  • Há ameaças recentes, como derramamentos de óleo e exploração de gás e petróleo na região.

Fontes

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