Ciência

Pesquisadores encontram 16 cápsulas de tubarão-lixa em Fernando de Noronha, indicando local de parto

Em apuração ?

Descoberta reforça papel da região na reprodução da espécie, que é monitorada há anos por cientistas

Imagem de uma cápsula de tubarão-lixa encontrada no mar de Noronha
Imagem: G1

Na quarta-feira (16), uma equipe de pesquisa revelou a descoberta de 16 cápsulas de tubarão-lixa nas águas de Fernando de Noronha. O achado constitui uma evidência de que a área é utilizada pelos animais para reprodução, além de alimentação e cópula. A investigação faz parte de um monitoramento em andamento há 12 anos pela UFRPE.

Na quarta-feira (16), a pesquisadora Mariana Rêgo, do projeto Ecotuba da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), fez uma descoberta importante na região de Fernando de Noronha: ela encontrou 16 cápsulas de tubarão-lixa, popularmente chamadas de “bolsas de sereia”, em uma área conhecida como Alagados dos Tubarões. Segundo Mariana, essa foi a primeira vez que ela detectou uma quantidade tão significativa dessas estruturas, o que reforça a hipótese de que o local é utilizado pelos tubarões para reprodução.

De acordo com a especialista, as cápsulas são estruturas semelhantes a ovos, nas quais os embriões se desenvolvem antes de nascerem. Ela explicou que o embrião se desenvolve dentro da cápsula na barriga da fêmea, que possui uma gestação de cinco a seis meses e, ao gestar aproximadamente 35 filhotes por vez, expele as cápsulas contendo os embriões para o ambiente externo. "Essa descoberta é muito relevante, pois confirma que Nordonha é uma área de parto, além de servir como local de alimentação e cópula", afirmou Mariana.

O monitoramento na região de Fernando de Noronha começou em junho e faz parte de um projeto que visa ampliar o entendimento sobre a reprodução e o desenvolvimento do tubarão-lixa. Durante o trabalho, os pesquisadores capturam as fêmeas, realizam exames de ultrassonografia para acompanhar a gestação, além de instalarem transmissores para acompanhar os deslocamentos dos animais. Na semana passada, Mariana já havia localizado uma cápsula no local conhecido como Sueste, e no mês anterior, outras quatro cápsulas foram encontradas nos Alagados dos Tubarões.

Segundo informações ainda não confirmadas oficialmente, o projeto de pesquisa tem como objetivo detalhar o ciclo de vida dessa espécie, que é monitorada há pelo menos 12 anos. Ainda não há declarações de órgãos ambientais ou da universidade quanto à extensão dessa descoberta, mas o fato de tantas cápsulas no mesmo período levanta questões importantes sobre a dinâmica de reprodução da espécie na região. Vídeos divulgados mostram a entrada de 13 tubarões-lixa na área de monitoramento, reforçando a relevância do local para os estudos.

A espécie de tubarão-lixa, considerada por alguns estudos como vulnerável, tem sua reprodução considerada de grande interesse para a conservação. A presença frequente de filhotes na região reforça a necessidade de proteção adequada a esse habitat. A pesquisa ainda está em andamento e aguarda confirmação oficial de novas descobertas, bem como possíveis implicações para a gestão ambiental de Fernando de Noronha.

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O que sabemos?

  • Pesquisadora encontrou 16 cápsulas de tubarão-lixa em Fernando de Noronha.
  • As cápsulas indicam que a região é utilizada para reprodução do tubarão-lixa.
  • O monitoramento começou em junho e inclui exames de ultrassom e instalação de transmissores.
  • No mês passado, outras cápsulas foram encontradas na mesma região.
  • O estudo faz parte de um acompanhamento de 12 anos sobre os tubarões na área.

Fontes

  • G1 imprensa
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