Durante o 1º Fórum das Savanas, pesquisadores de diferentes países discutiram aspectos ambientais, sociais e de saúde relacionados às savanas, incluindo o impacto das mudanças climáticas e estratégias de conservação.
No último dia 29 de setembro, durante a 6ª Semana Nacional do Cerrado, foi realizado o 1º Fórum Internacional das Savanas, um encontro que buscou fortalecer o debate global sobre a preservação desses biomas, cuja riqueza em biodiversidade, recursos hídricos e modos de vida é reconhecida mundialmente. Segundo a organização, o evento, apoiado pela Fiocruz e organizado pelo Instituto Federal de Goiás (IFG), reuniu pesquisadores do Brasil, Angola, Moçambique e Austrália, com o objetivo de elaborar um documento técnico sobre as savanas, conhecido como policy brief, com planos de apresentar essa análise na COP31, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima.
Durante o debate, os participantes abordaram os principais desafios enfrentados pelos biomas de savanas, incluindo os efeitos das mudanças climáticas, ações humanas que alteram o ecossistema, manejo do fogo e a relação das comunidades locais com o ambiente. Segundo fontes da organização, Guilherme Franco Netto, coordenador de Saúde e Ambiente da Fiocruz, pontuou que "apesar de existirem iniciativas globais voltadas às florestas, as savanas ainda ocupam espaço reduzido na agenda internacional, especialmente no debate sobre o clima". Além disso, o pró-reitor de extensão do IFG, Reinaldo Reis Júnior, reforçou a importância de uma abordagem multidisciplinar, valorizando o conhecimento das próprias comunidades que vivem nesses territórios e destacando que a luta contra as mudanças climáticas exige ciência, cooperação internacional e diálogo constante.
Em Moçambique, o especialista Eufrásio Nhongo, da Universidade Zambeze, destacou os impactos das mudanças climáticas nas savanas africanas, especialmente os incêndios recorrentes e a necessidade de desenvolver sistemas de adaptação adequados às características locais, uma vez que mais de 60% da população do país vive em áreas rurais de savanas e depende totalmente do ecossistema para sua sobrevivência. Do lado de Angola, André Sinela, da Universidade José Eduardo dos Santos, ressaltou que o país apresenta uma diversidade ambiental única, com sete biomas entre os dez existentes na África, sendo o miombo uma extensa formação de savana que vem sofrendo alterações devido às ações humanas e os efeitos do clima, como secas prolongadas, que prejudicam a vegetação e as comunidades que dependem dela.
Por fim, a representante da Aliança Australiana de Clima e Saúde, Michele Isles, trouxe uma perspectiva que liga a saúde das savanas à qualidade de vida das populações. Ela ressaltou que os biomas preservados contribuem para o equilíbrio do clima, a oferta de alimentos, plantas medicinais e o bem-estar mental das populações tradicionais. Segundo ela, "savanas saudáveis protegem a saúde" — uma visão que reforça a necessidade de ações globais para evitar a degradação desses ambientes, cujo estado de conservação está ameaçado por fatores diversos ainda em análise e sem confirmação oficial até o momento.
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O que sabemos?
✓Pesquisadores de diferentes continentes participaram do fórum.
✓O evento buscou preparar uma análise para a COP31.
✓Debates abordaram impactos das mudanças climáticas, conservação e relação com comunidades.
✓Organizado pelo IFG, apoio da Fiocruz.
✓Especialistas destacaram impactos na África e na Austrália.