Carros

Mercado de usados no Brasil registra queda de até 15% nos preços de veículos populares

Em apuração ?

Dados exclusivos apontam desvalorização maior do que a tabela Fipe indica, reflexo da chegada de carros chineses e ajuste na demanda

Carros usados sendo exibidos em loja com preços marcados
Imagem: G1

Levantamento revela que os preços de 25 modelos mais buscados caíram até 15%, com uma média de 10,2% na última year, enquanto a tabela Fipe mostra uma queda de apenas 4%. Essa mudança é atribuída ao efeito China e à readequação do mercado automotivo brasileiro.

O mercado de carros usados no Brasil passa por uma reconfiguração que vem chamando atenção de lojistas e consumidores. Segundo dados exclusivos da plataforma Auto Avaliar, todos os 25 modelos mais buscados no país tiveram queda nos preços nos últimos 12 meses, chegando a desvalorizações de até 15% em alguns casos. Ainda que a tabela Fipe, referência oficial do setor, indique reduções menores, especialistas explicam que o mercado real está apresentando uma correção mais acentuada, revelando uma fase de ajuste diante de um cenário de maior entrada de carros chineses e mudanças na dinâmica de oferta e demanda.

De acordo com o levantamento, o efeito conhecido como 'Efeito China', que se refere ao aumento da entrada de veículos importados populares, tem impactado diretamente na valorização dos seminovos. Entre os modelos com maiores quedas estão o Jeep Compass (-15,7%), Jeep Renegade (-13,8%) e Chevrolet Tracker (-13,5%). Outros modelos como Fiat Pulse, Toyota Hilux e Onix também apresentaram depreciações significativas, variando de 10% a 11%. Os dados indicam que os preços de venda ao consumidor estão mais baixos do que o indicado pela tabela Fipe, que é baseada em anúncios e com uma defasagem de tempo de aproximadamente quatro semanas.

Segundo J.R. Caporal, presidente da Auto Avaliar, essa discrepância ocorre porque a tabela Fipe “compila dados de anúncios com uma certa defasagem, enquanto seu banco de dados reflete com maior agilidade o preço efetivamente praticado na transação pelo lojista”. Ele explica ainda que, na prática, os preços de mercado estão se ajustando mais rapidamente, refletindo uma realidade de maior oferta de veículos e menor demanda do que a média percebida até recentemente. Ainda segundo Caporal, essa mudança é percebida de forma mais clara ao comparar o valor que o lojista pagou pelo carro e quanto ele vende atualmente, o que demonstra uma readequação de mercado mais rápida do que o sugerido pela tabela.

Complementando, José Éverton Fernandes, presidente da Federação Nacional dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), destacou que a tabela Fipe “responde ao retrovisor”, ou seja, demora a mostrar essas correções. Para ele, o mercado está passando por um momento de reequilíbrio após um período de alta demanda, onde a oferta era escassa e o ágio — valor acima do preço de tabela pago pelo cliente — era comum. Com o aumento da entrada de veículos importados e maior oferta, esses valores de valorização excessiva já não são mais sustentáveis, levando à redução de preços praticada pelos lojistas.

Essa fase de ajuste tem outros efeitos, como a dificuldade de vender veículos por valores acima da tabela Fipe. Modelos considerados os mais procurados há pouco tempo, que antes eram vendidos com ágio, agora não alcançam esses valores mais altos. Essa mudança na dinâmica de preços é acompanhada de perto por investidores, consumidores e pela própria indústria automotiva brasileira, que já avalia as próximas movimentações no mercado de seminovos e usados. Ainda não há confirmações oficiais sobre a extensão dessa tendência, mas o cenário evidencia uma fase de maior ajuste e realinhamento econômico no setor automotivo nacional.

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O que sabemos?

  • Todos os 25 carros mais buscados no Brasil tiveram queda de preço nos últimos 12 meses.
  • A média de desvalorização desses modelos é de 10,2%, maior do que a indicada pela tabela Fipe, que aponta cerca de 4%.
  • Modelos como Jeep Compass, Renegade e Chevrolet Tracker tiveram as maiores quedas, chegando a 15%.
  • Especialistas explicam que a distorção entre preços praticados e a tabela Fipe ocorre por causa do atraso na atualização da tabela.
  • O mercado agora passa por uma readequação da demanda, com maior entrada de carros chineses e oferta maior, o que diminui a valorização dos veículos usados.

Fontes

  • G1 imprensa
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