Motor 1.5 dos carros chineses: padrão que virou tendência no mercado automotivo
Entenda por que diversos SUVs e sedãs usam o mesmo motor aparentemente idêntico
Os motores 1.5 utilizados por marcas chinesas como GWM, BYD e Caoa Chery têm uma origem comum. Segundo análise, essa padronização está relacionada a fatores fiscais, economia de escala e aprendizado técnico herdado do Japão.
Nos últimos anos, uma espécie de consenso silencioso tomou conta do mercado automotivo chinês, especialmente no segmento de SUVs e sedãs populares: o motor de quatro cilindros de 1.5 litro virou uma espécie de padrão de produção. Segundo fonte especializada, a partir de uma análise feita por uma ferramenta de inteligência artificial treinada pela redação, marcas como GWM Haval, BYD e Caoa Chery utilizam motores muito semelhantes, levantando a dúvida: esses motores seriam clones ou possuem alguma diferença técnica?
Apesar de muitas dessas unidades parecerem idênticas por fora, sua origem revela um longo percurso de evoluções, adaptações e estratégias de mercado. Segundo informações não confirmadas oficialmente, a história remonta às década de 1970 e 1980, quando a indústria japonesa desenvolveu motores de 1.500 cm³, utilizados principalmente na Toyota e Mitsubishi. Esses motores serviram de base para a indústria chinesa: ainda segundo a fonte, a união entre a japonesa Toyota e a chinesa FAW, no início dos anos 2000, foi um marco importante nesse processo, ao iniciar a produção de pequenos quatro cilindros baseados na arquitetura 8A, conhecida na segunda geração do Toyota Corolla de 1978.
Conforme ainda não confirmado oficialmente, marcas menores, como a Geely na época, passaram a incorporar esses motores japoneses, enquanto a Mitsubishi cedeu o direito de fabricar seus tradicionais motores Orion — usados nos Lancer dos anos 1970 — para serem a base de diversos motores na China. A antiga mecânica da Mitsubishi, especialmente os motores 4G15 e 4G18, continua presente em modelos modernos, incluindo unidades no mercado brasileiro, como o EcoBoost do Ford Territory chinês e no Haval H6 da GWM.
Segundo especialistas, o grande avanço ocorreu após a adoção de sistemas de injeção direta, turbocompressores de geometria variável e controles digitais de alta tecnologia. No entanto, essa padronização também foi influenciada por fatores fiscais: o sistema tributário chinês, assim como de outros países asiáticos, impõe impostos mais altos para motores acima de 1.5 litro. Modelos exportados, por sua vez, pagam uma tarifa de apenas 5%, enquanto motores maiores sofrem uma sobretaxa de até 30%. Esse cenário levou as montadoras a otimizarem a produção de blocos menores, garantindo agilidade na fabricação e redução de custos.
De acordo com a análise, em busca de economia, as marcas passaram a apostar na maximização do desempenho dos motores 1.5, mesmo que eles sejam considerados subdimensionados para veículos pesados, como SUVs de duas toneladas. Como consequência, esses veículos costumam exigir giros mais altos e um pé mais pesado no acelerador. Para contornar essa limitação, muitas fabricantes adotaram a tecnologia híbrida, nas quais motores elétricos assumem as arrancadas e manobras, disfarçando a força limitada do motor a combustão, além de evitar multas fiscais e tarifas elevadas.
Assim, a estratégia de padronização por uma família de motores de 1.5 litro se consolidou como uma forma eficiente de produzir em massa, reduzir custos e manter a competitividade no mercado global. Ainda assim, essa sobriedade técnica provoca efeitos práticos nos consumidores, que veem seus veículos exigindo mais atenção à bomba de combustível e maior esforço do motor elétrico em certas ocasiões. Ainda não há confirmação oficial de todas essas ligações, mas a história revela uma forte influência do passado japonês e das políticas fiscais na configuração atual dos motores utilizados pelos carros chineses, consolidando um padrão que domina o mercado de SUVs e sedãs de entrada.
O que sabemos?
- Marcas chinesas usam motores idênticos ou similares de 1.5 litros.
- Origem desses motores remete às décadas de 1970 e 1980, com influência japonesa.
- Sistema fiscal e tarifas de importação favorecem produção de blocos menores.
- Empresas adotam tecnologia híbrida para compensar limitações do motor a combustão.
- Padronização ajuda a reduzir custos de produção e preços ao consumidor.
Fontes
- Quatro Rodas fonte especializada





