Carros chineses reduzem preços de usados no Brasil, impactando mercado local
SUVs seminovos enfrentam nova fase de queda de valor e maior tempo de venda, segundo fontes do setor
A entrada de SUVs compactos chineses no mercado brasileiro começa a pressionar os preços de modelos tradicionais de marcas como Volkswagen, Jeep e Hyundai, além de aumentar o tempo para revendê-los, segundo dados de fontes do setor automotivo.
Nos últimos meses, o mercado de carros usados no Brasil tem passado por uma transformação marcada pelo impacto dos SUVs chineses menores, que começaram a derrubar preços de modelos tradicionais das marcas nacionais e internacionais. Segundo uma fonte do setor, essas mudanças vêm ocorrendo em ritmo acelerado, principalmente nas vendas de modelos seminovos de SUVs compactos, um segmento bastante apreciado pelos consumidores brasileiros.
De acordo com dados recentes, modelos chineses como BYD Song Pro, GWM Haval H6, GAC GS3, GAC GS4, Geely EX5 EM-i e Omoda 5, que oferecem bom custo-benefício e preços bastante competitivos na venda zero-quilômetro, estão começando a afetar o mercado de usados. Esses veículos, ressaltam os especialistas, já contribuem para a queda de preços e para o aumento do tempo de estoque de veículos tradicionais como Volkswagen T-Cross, Jeep Renegade e Hyundai Creta.
Nos principais canais de venda de seminovos, a diferença de preços em relação à tabela Fipe — índice oficial de referência para o mercado de usados — vem se ampliando. Segundo a mesma fonte, unidades de modelos como Volkswagen T-Cross, por exemplo, já são encontradas por até R$ 10 mil abaixo do valor indicado na tabela, com alguns casos chegando a R$ 20 mil de diferença. Isso não se limita a veículos com alta quilometragem; mesmo unidades com baixa quilometragem de modelos do ano de 2024 aparecem com preços menores do que a referência oficial.
Além da queda nos preços, o tempo que esses veículos permanecem nas lojas aumenta consideravelmente. Um índice chamado Market Day Supply (MDS), que mede a atratividade de cada modelo na prateleira, revela que os SUVs como Volkswagen T-Cross, Jeep Renegade e Hyundai Creta passaram a levar mais tempo para serem vendidos. Dados mostram que, no começo de 2025, esses modelos tinham estoque suficiente para poucos dias de venda; atualmente, esse prazo subiu para mais de 50 dias, aumentando a dificuldade de vender por preços acima da tabela Fipe.
Segundo Lucio Groch, gerente de vendas da empresa que fornece esses dados, essa tendência indica uma mudança no comportamento do mercado, que se torna mais favorável ao consumidor. “No segmento de SUVs compactos, já vemos essa maior pressão acontecendo”, afirmou durante uma entrevista exclusiva. Ainda não há confirmação oficial de que essa tendência se estabilizou ou que todos os revendedores estejam sentindo o impacto de forma igual, mas o quadro é claro: o mercado de usados passa por uma fase de ajuste, influenciado pela entrada de veículos chineses e pela crescente oferta de unidades em estoque.
Por ora, o que se observa é que os preços seguem em queda e que os prazos de venda aumentam, indicando que os consumidores têm mais poder de barganha. O cenário, ainda que não oficial, aponta para uma nova configuração no mercado automotivo brasileiro, com o fortalecimento dos veículos chineses e a consequente adaptação dos vendedores tradicionais às novas condições de oferta e demanda.
O que sabemos?
- SUVs chineses como BYD Song Pro, GWM Haval H6, GAC GS3, GAC GS4, Geely EX5 EM-i e Omoda 5 estão entrando no mercado brasileiro de usados.
- Preços de veículos como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Jeep Renegade estão até R$ 20 mil abaixo da tabela Fipe.
- Os tempos de estoque desses veículos aumentaram, com alguns modelos levando mais de 50 dias para serem vendidos.
- Os dados do índice Market Day Supply indicam maior dificuldade de venda e redução na atratividade desses SUVs tradicionais.
Fontes
- Autoesporte fonte especializada




