Rio Ocean Week destaca a urgência de preservar os oceanos brasileiros
Evento no Museu do Amanhã promove debates, arte e ações pelo cuidado com os mares do Brasil
A Rio Ocean Week, até 20 de setembro no Rio de Janeiro, discute a conservação marinha com foco na importância dos oceanos, que cobrem milhões de quilômetros quadrados do país. Organizado por especialistas, o evento enfatiza a necessidade de ações articuladas para combater o lixo nos mares brasileiros.
Até o dia 20 de setembro, o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, está sediando a segunda edição da Rio Ocean Week, um evento dedicado à discussão e à conscientização sobre a preservação dos oceanos brasileiros. Segundo fontes do próprio evento, o objetivo é envolver a população por meio de arte, cultura e ciência, destacando a relevância de proteger os mares que banham o Brasil, uma nação com mais de 8 mil quilômetros de litoral e uma vasta área marinha de 5,7 milhões de quilômetros quadrados.
Segundo Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da USP e titular da Cátedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano, a questão do lixo nos oceanos é central na programação. Em entrevista a uma fonte do evento, Turra afirmou que “a questão precisa ser trabalhada de forma articulada entre ministérios e instituições para gerar impacto real e duradouro.” Ele reforça que o problema do lixo, especialmente as bitucas de cigarro, é uma das maiores preocupações, já que esses resíduos são os mais encontrados nas limpezas de praias turísticas, de acordo com dados ainda não confirmados oficialmente.
Durante o evento, também é celebrado o Dia Mundial da Limpeza, que ocorre neste fim de semana, com ações de mobilização pelo litoral brasileiro. Segundo fontes, em praias mais remotas, resíduos provenientes de navegação são comuns, enquanto na Baixada Santista, no Litoral Norte de São Paulo, a questão está relacionada principalmente ao descarte irregular de resíduos domésticos. No Rio de Janeiro, estudos coordenados por Turra analisaram unidades de conservação, apontando menor quantidade de lixo na região sul do litoral fluminense, mas uma situação mais complexa na área central, próxima às cidades do Rio e Niterói.
Outra fonte, uma ONG parceira do evento, revelou que uma pesquisa envolvendo 308 praias brasileiras mostrou maior sensibilidade às áreas próximas às capitais, onde há maior concentração de resíduos. Segundo especialistas, esse lixo afeta diretamente os pescadores, que precisam retirar materiais de seus pescados, como no caso da pesca de camarão, onde resíduos são encontrados junto ao peixe, comprometendo a rotina desses trabalhadores.
Em âmbito estadual, uma iniciativa da Fundação Florestal em São Paulo prevê o pagamento por serviços ambientais a pescadores que recolhem resíduos, incentivando a destinação correta. A especialista reforça que o combate ao plástico nos mares exige ações não só de limpeza, mas de prevenção, mudanças na produção e no consumo. Até que tais medidas sejam amplamente adotadas, o desafio permanece, pois a origem do lixo está na cadeia de produção e descarte do plástico, o que torna a questão complexa e urgente.
O que sabemos?
- Rio Ocean Week discute a preservação dos oceanos brasileiros até 20 de setembro.
- Evento é realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, e inclui arte, cultura e ciência.
- Segundo a organização, lixo marinho, especialmente bitucas de cigarro, é uma das maiores ameaças.
- Estudos indicam maior presença de resíduos em áreas próximas às capitais.
- Pescadores enfrentam dificuldades com resíduos nos seus pescados, como na pesca de camarão.
Fontes
- Jornal da USP fonte oficial




