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Redescoberta nas profundezas: cientistas anunciam 57 novas espécies no fundo do mar argentino

Em apuração ?

Expedição revela biodiversidade até então desconhecida na costa de Mar del Plata

Redescoberta nas profundezas: cientistas anunciam 57 novas espécies no fundo do mar argentino
Imagem: Aventuras na História

Durante uma expedição de 21 dias, pesquisadores coletaram amostras no cânion submarino de Mar del Plata, identificando dezenas de novas espécies marinhas, incluindo um pepino-do-mar com chifres chamado 'Loki'. Os resultados reforçam a importância da pesquisa colaborativa e do monitoramento dos ecossistemas oceânicos.

Uma expedição científica realizada na costa de Mar del Plata, na Argentina, revelou uma quantidade surpreendente de biodiversidade até então desconhecida. Segundo informações de uma fonte ligada ao estudo, durante 21 dias, uma equipe liderada pelo Grupo Argentino de Estudos de Águas Profundas (Gempa) coletou amostras no talude continental de um cânion submarino, atingindo profundidades de até 3.900 metros. A análise dessas amostras, divulgada após um workshop internacional realizado em Buenos Aires, confirmou a descoberta de 57 novas espécies marinhas, além de cinco novos gêneros, incluindo corais, pepinos-do-mar, crustáceos, e outros organismos essenciais para a formação de habitats no fundo oceânico.

Entre as descobertas, destaca-se um pepino-do-mar apelidado de “Loki” (Peniagone sp.), que chamou atenção por seu aspecto exótico, com apêndices semelhantes a chifres que remetem ao deus nórdico. Segundo um especialista, “a análise das amostras permitiu aumentar de 40 para 57 a estimativa inicial de espécies inéditas para a ciência, o que mostra o potencial de exploração desses ambientes ainda pouco estudados”. Ainda de acordo com a fonte, foram identificados 20 copépodes — pequenos crustáceos importantes na teia alimentar do fundo do mar —, 22 equinodermos, como pepinos-do-mar e crinoides, 14 cnidários, incluindo corais e penas-do-mar, além de um molusco escafópode. Os novos gêneros identificados abrangem esses grupos, evidenciando a diversidade da fauna local.

O material biológico coletado foi preservado em coleções institucionais na Argentina, incluindo o Museu Argentino de Ciências Naturais (MACN-Conicet). As amostras foram disponibilizadas na plataforma de acesso aberto Ocean Census NOVA, permitindo que pesquisadores do mundo todo possam estudar esses exemplares. A operação foi conduzida a bordo do navio de pesquisa R/V Falkor, que utilizou o veículo operado remotamente SuBastian para alcançar as profundidades, em uma missão que também teve grande participação do público, com transmissões ao vivo que atingiram aproximadamente quatro milhões de pessoas em desenvolvimento global e quase 22 milhões de visualizações no total.

Segundo o pesquisador responsável pelo estudo, Daniel Lauretta, a colaboração internacional e o fortalecimento de capacidades locais foram essenciais para acelerar a identificação de novas espécies e ampliar o conhecimento sobre esses ecossistemas. A cientista-chefe do projeto Ocean Census, Michelle Taylor, ressaltou a importância do trabalho conjunto: “A descoberta de tantas espécies em tão pouco tempo demonstra a velocidade e o poder da taxonomia colaborativa”, afirmou. Ela destacou ainda que os resultados reforçam o quanto o fundo do mar ainda guarda muitos segredos e que a união entre especialistas da América Latina e de outros países é fundamental para avançar na compreensão da biodiversidade oceânica.

Com base nas descobertas de 2025, o Conicet e o Schmidt Ocean Institute planejam uma nova expedição, a Continental Slope V, prevista para fevereiro e março de 2027. Essa missão, com duração de 23 dias, focará nos cânions submarinos de Ameghino e Almirante Brown, localizados a cerca de 600 quilômetros da costa da província de Chubut. Ainda não há confirmações oficiais sobre esses planos, e o clube responsável pelo projeto não se pronunciou oficialmente até o momento. Contudo, a pesquisa destaca a importância de explorar e documentar esses ecossistemas remotos, cuja biodiversidade pode ser ainda maior do que os registros atuais sugerem, reforçando o potencial de descobertas futuras no fundo do oceano.

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