Brasil

Governo brasileiro aprova 501 novos blocos de petróleo na margem equatorial

Em apuração ?

Expansão das áreas de exploração ocorre após negociações que ampliaram limites marítimos do país

Mapa da área de novos blocos na margem equatorial brasileira
Imagem: Folha de S.Paulo

A Agência Nacional do Petróleo aprovou a delimitação de novos blocos na margem equatorial, incluindo regiões de importância como a Foz do Amazonas, com potencial para aumento na exploração de petróleo.

Nesta sexta-feira (2), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou a aprovação de 501 novos blocos para exploração de petróleo na margem equatorial brasileira. Segundo fonte oficial da agência, essa decisão ainda depende de estudos adicionais realizados por outros órgãos do governo para que os blocos possam ser efetivamente disponibilizados ao mercado de exploração.

De acordo com a ANP, os blocos estão distribuídos por cinco bacias distintas, incluindo a importante Foz do Amazonas, que é considerada a principal aposta da Petrobras para renovar suas reservas de petróleo no Brasil. Ainda segundo a agência, essa expansão foi possível graças ao sucesso do país em negociar a ampliação de seus limites de águas territoriais, o que permitiu o desenho de novas áreas além das tradicionais 200 milhas náuticas — aproximadamente 370 quilômetros —, limites que eram reconhecidos até 2025. A nota da ANP destacou que, com essa mudança, o Brasil passou a exercer direitos soberanos sobre uma área de cerca de 380 mil quilômetros quadrados, equivalente ao tamanho do Japão.

Hoje, já existem 51 blocos ativos na região, sendo 29 na bacia da Foz do Amazonas. As bacias de Barreirinhas e Potiguar possuem, respectivamente, 9 e 9 blocos, enquanto a de Pará-Maranhão conta com cinco. Importante notar que, até o momento, apenas as bacias da Foz do Amazonas e do Potiguar apresentam atividades de exploração em águas profundas, com descobertas de petróleo já anunciadas pela Petrobras, que anunciou sua segunda descoberta no poço de Morpho, o primeiro em águas ultraprofundas na região. No entanto, a ANP reforça que a simples definição de novos blocos não garante a sua oferta imediata em leilões, uma vez que cada área passa por análise específica e deve seguir procedimentos regulatórios, incluindo avaliações e manifestações dos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente, além da aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

O debate sobre a ampliação da exploração é acompanhado por organizações ambientalistas, que têm manifestado preocupação com possíveis impactos ambientais, sobretudo em um momento em que o país apresenta discursos de fortalecimento de uma economia mais sustentável. Ainda assim, a expectativa é de que nos próximos dias a Agência promova dois leilões de áreas exploratórias, incluindo 13 blocos no pré-sal e outros em regiões diversas do país, mesmo sem confirmação de datas exatas. Essa movimentação é vista como um passo importante para o setor de petróleo, que busca ampliar suas reservas, mas também gera questionamentos sobre os riscos ambientais envolvidos nessa expansão.

Por ora, a movimentação na área reforça a estratégia do governo de ampliar a margem de exploração marítima, após o sucesso em negociações internacionais. Ainda não há confirmação oficial sobre quais blocos estarão disponíveis nos próximos leilões ou se a nova quantidade de áreas afetará drasticamente o mercado de oferta. A expectativa é de que o tema continue sob análise, com atenção às manifestações técnicas e políticas que possam influenciar o avanço dessas atividades no oceanos brasileiros.

Publicidade

O que sabemos?

  • A ANP aprovou 501 novos blocos de petróleo na margem equatorial.
  • Os blocos estão nas bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.
  • A área total dos blocos é de aproximadamente 380 mil km², similar ao tamanho do Japão.
  • Ainda não há confirmação de que esses blocos serão leiloados imediatamente.
  • A expansão ocorreu após negociações que ampliaram o limite de águas brasileiras além das 200 milhas náuticas.

Fontes

Publicidade