Redução dos focos de calor na Amazônia protegida acende alerta para áreas estaduais
Apesar do declínio significativo, unidades de conservação estaduais mantêm sinais de risco, segundo levantamento
Dados recentes indicam uma queda de mais de 70% nos focos de calor em áreas protegidas do Amazonas, mas unidades estaduais ainda registram preocupações.
Um levantamento divulgado pelo sistema BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), revela que os focos de calor em áreas protegidas do Amazonas caíram 74,3% de janeiro a meados de outubro de 2026, passando de 499 para 128 ocorrências. Essa redução decorre, principalmente, das diminuições em Terras Indígenas e Reservas Federais, que tiveram quedas superiores a 70% e 90%, respectivamente, reforçando a efetividade das ações de monitoramento e controle nestas regiões. Contudo, um dado que chama a atenção é que as Unidades de Conservação sob gestão estadual apresentaram queda menor, de 53,6%, com registros de 51 focos até outubro de 2026, contra 110 no mesmo período do ano passado. Essas áreas representam mais de 70% de todas as queimadas mapeadas na categoria. Segundo a fonte única do levantamento, a pesquisadora Jakeline Pereira, diretora do Programa de Áreas Protegidas do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a preservação dessas regiões é fundamental. "Além de abrigar espécies únicas da fauna e flora, as áreas protegidas são essenciais para o equilíbrio climático e para o fornecimento de recursos para comunidades locais", destacou. A maior concentração de focos entre as áreas estaduais está na Área de Proteção Ambiental (APA) Margem Direita do Rio Negro - Setor Paduari-Solimões, com 19 focos, representando 37,3% do total estadual, seguida pela APA Nhamundá, com 17 focos, ou 33,3%. Ainda segundo a especialista, moradores que atuam nessas áreas enfrentam dificuldades diárias, como isolamento e falta de serviços básicos, o que dificulta a regularização fundiária e o reconhecimento de direitos às comunidades tradicionais, uma questão que ainda não foi totalmente resolvida pelo governo. O estudo aponta que, enquanto as áreas federais e indígenas registraram reduções superiores a 70%, as unidades estaduais permanecem mais ameaçadas, exigindo atenção contínua para evitar que as queimadas persistam ou aumentem.
O que sabemos?
- A redução de focos de calor em áreas protegidas do Amazonas foi de 74,3% entre janeiro e outubro de 2026.
- As Unidades de Conservação estaduais tiveram queda menor, de 53,6%, com 51 focos registrando até outubro deste ano.
- As áreas federais e Terra Indígena concentram mais de 70% dos focos mapeados em 2026.
- A Terra Indígena Andirá-Marau foi a mais pressionada, com 18 focos em 2026.
- Especialistas alertam sobre dificuldades de monitoramento e regularização fundiária em áreas estaduais.
Fontes
- G1 imprensa





