Moradores do Brooklin contestam prédio de 32 andares após corte de árvores
Empreendimento aprovado pelas novas regras de zoneamento enfrenta resistência local e questionamentos ambientais
A construção de um prédio de 32 andares na rua Gil Eanes, no Brooklin Paulista, gerou protestos de moradores que denunciam supressão precoce de árvores e ausência de avaliação adequada da fauna, enquanto questões legais sobre o zoneamento ainda estão em análise.
Moradores do bairro do Brooklin Paulista, na zona sul de São Paulo, se mobilizam contra a construção de um edifício residencial de 32 andares, que teve sua aprovação liberada pela revisão das regras de zoneamento realizada em 2024. O empreendimento, denominado Quintessence Campo Belo, está previsto para ser erguido na rua Gil Eanes, em área que até então tinha limite de altura permitido de 28 metros — cerca de oito a dez andares —, segundo apurou a Folha de S.Paulo.
No último dia 24, a construtora AW Realty deu continuidade ao corte de árvores no terreno do futuro canteiro de obras, ação que provocou protestos imediatos de moradores e de associações de bairro da região. A principal reivindicação é a preservação ambiental, incluindo os questionamentos sobre a suposta falta de um relatório completo da fauna local. Segundo Talita Araújo de Carvalho, designer e uma das integrantes do movimento “30 andares, não”, os vizinhos registraram a presença de um casal de pica-paus nas árvores que foram derrubadas. "A gente tem diversos vídeos", afirma.
Talita também destacou que o relatório apresentado pela incorporadora não mencionava a presença dessas aves. O movimento que se opõe ao empreendimento suspeita que a construtora tenha acelerado o manejo das árvores para não correr riscos diante de um julgamento no Tribunal de Justiça. Nesta mesma quarta-feira (26), desembargadores impugnaram um mapa do zoneamento que havia sido instituído em julho de 2024, porém ainda não há análise oficial sobre as quadras que serão afetadas pela medida.
É importante ressaltar que, conforme informações da Folha de S.Paulo, a impugnação do tribunal não deverá retroagir para anular alvarás de construção já concedidos. O clube e a incorporadora ainda não se pronunciaram publicamente sobre os protestos ou as questões relativas à fauna e ao zoneamento, e não há confirmação oficial sobre desdobramentos legais futuros.
O episódio revela um conflito entre o avanço imobiliário na região e a preocupação dos moradores com o impacto ambiental e urbanístico que novas construções de grande porte podem causar. A ligeira flexibilização das regras, que ampliou o limite de altura para prédios, tem provocado reações no bairro, tradicionalmente marcado por edificações mais baixas e áreas verdes preservadas.
O que sabemos?
- Empreendimento de 32 andares aprovado após revisão do zoneamento em 2024.
- Corte de árvores em terreno na rua Gil Eanes gerou protestos em 24 de abril.
- Moradores e associações questionam falta de avaliação completa da fauna, especialmente presença de pica-paus.
- Tribunal de Justiça impugnou mapa do zoneamento, mas não anula alvarás já concedidos.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




