Brasil

Estudo aponta que pressão por metas afeta a cultura nas empresas brasileiras

Em apuração ?

Pesquisa revela como o ambiente de trabalho é impactado por cobranças por resultados

Profissional sentado em escritório com expressão pensativa, simbolizando o impacto da pressão por metas.
Imagem: Folha de S.Paulo

Segundo levantamento realizado pela QualiBest a pedido do iFood, a maioria dos profissionais acredita que a cultura das organizações tende a ceder sob pressão por metas, com implicações na saúde e motivação dos empregados.

Uma pesquisa recente conduzida pela QualiBest a pedido do iFood revelou que, embora a maioria dos trabalhadores reconheça a importância de uma cultura empresarial forte, esse valor frequentemente se esvazia diante da pressão por resultados e metas. Segundo o estudo, realizado entre os dias 13 e 17 de julho com uma amostra de 1.406 profissionais de todo o Brasil, nove em cada dez pessoas conhecem a cultura de suas empresas, e 58% afirmam que ela é a primeira a ceder quando há uma cobrança por resultados.

O levantamento mostra que a percepção da prática da cultura no dia a dia também é criticada. Apenas 36% dos entrevistados dizem que ela é praticada de forma consistente, enquanto 55% afirmam que ela se manifesta no cotidiano, na gestão e no tratamento dado às pessoas. Especialistas responsáveis pelo estudo explicam que a liderança tem um papel central nesse contexto. Para Fábia Silveira, gerente de planejamento e atendimento da QualiBest, a cultura da empresa é entendida como um comportamento que se manifesta na prática. "No final do dia, cultura da empresa é o comportamento que você encontra na prática", ela afirma.

O estudo também aprofundou a relação entre discurso de valores e estratégias empresariais. Mais da metade dos entrevistados (57%) consideram que a cultura é uma estratégia de negócios de fato, enquanto 16% alegaram que ela é apenas um discurso. Essa percepção é importante porque, quando a cultura é vista como estratégia real, há uma maior tendência de perceber que ela traz benefícios tangíveis, como o bem-estar dos profissionais e resultados positivos para o negócio. Por outro lado, a distância entre o que a empresa diz e o que ela pratica fica evidente: entre os profissionais com cargos de gerência e diretoria, 65% admitem cortar ações de bem-estar e capacitação em momentos de alta pressão. Além disso, cerca de 41% dos líderes admitiram que sacrificam pontos importantes da cultura para atingir metas.

Outro dado que chama atenção é que aproximadamente 36% dos respondentes já tomaram alguma decisão de carreira influenciados pelos valores e cultura de suas empresas. Isso revela que a prática diária, ou a sua ausência, pode impactar significativamente a motivação e a permanência dos profissionais no mercado de trabalho. Segundo Raphael Bozza, sócio do iFood, empresas que realmente cumprem o que prometem tendem a manter um maior engajamento de seus funcionários, enquanto aquelas que não alinham discurso e prática enfrentam maior rotatividade, ou seja, entrada e saída constantes de colaboradores.

Publicidade

O que sabemos?

  • Nove em cada dez profissionais conhecem a cultura da empresa em que trabalham.
  • 58% dizem que a cultura se cede sob pressão por metas.
  • 36% afirmam que a cultura é praticada constantemente.
  • Mais da metade (57%) vê a cultura como estratégia de negócio.
  • 65% de diretores e gerentes cortam ações de bem-estar em momentos de alta pressão.
  • 41% dos líderes sacrificam pontos da cultura para atingir metas.
  • Cerca de 36% já mudaram decisões de carreira influenciados pelos valores da empresa.

Fontes

Publicidade