Declínio populacional das cidades brasileiras preocupa especialistas em urbanismo
Pesquisas apontam mudança de perfil populacional e desafios para o crescimento urbano
Especialista alerta para o envelhecimento da população e redução no crescimento de cidades médias e grandes. Ainda não há confirmação oficial, mas o tema é discutido em eventos acadêmicos.
Recentemente, o urbanista Alain Bertaud palestrou no Encontro Cidades Responsivas, realizado em Porto Alegre, uma das capitais mais envelhecidas do Brasil. Segundo ele, o declínio populacional, que já é observado em algumas regiões do mundo, começa a mostrar sinais também nas cidades brasileiras, especialmente nas médias e pequenas. Ainda não há confirmação oficial de dados específicos, mas a discussão sobre esse fenômeno acende um alerta para os planejadores urbanos e gestores públicos.
De acordo com informações ainda não confirmadas oficialmente, a tendência mundial de redução da taxa de natalidade, que em países como o Japão já resultou até no encolhimento de suas cidades menores, também está afetando o Brasil. Segundo a fonte, enquanto a população global cresceu lentamente por milênios, a partir da Revolução Industrial ocorreu uma explosão populacional nas áreas urbanas, impulsionada pela redução das taxas de mortalidade e pela busca por oportunidades de trabalho. Porém, com a queda da fecundidade, especialmente com a diminuição da média de filhos por mulher — que no Brasil, inicialmente em torno de 6, caiu para abaixo da taxa de reposição — as cidades vêm sofrendo mudanças em sua composição populacional.
Segundo a mesma fonte, o envelhecimento da força de trabalho e a migração de jovens para grandes centros urbanos são apontados como principais consequências. No Japão, por exemplo, Tóquio continua crescendo, enquanto cidades menores encurtam ou param de crescer. No Brasil, dados do último Censo apontam que municípios menores tendem a diminuir após décadas de aumento, enquanto algumas cidades médias e regiões metropolitanas continuam crescendo, embora de forma mais lenta e muitas vezes com sinais de estagnação ou até de retrocesso, como é o caso de Porto Alegre, Curitiba e Recife.
Especialistas alertam que esse movimento pode trazer riscos profundos, incluindo dificuldades na manutenção da infraestrutura urbana e na sustentação econômica dessas regiões. A redução na base tributária, aliada à dispersão territorial, pode impactar a oferta de serviços públicos e a qualidade de vida. Apesar de algumas opiniões sugerirem que a menor densidade populacional possa reduzir a necessidade de novas construções, experts como Bertaud destacam que a estagnação de uma cidade pode indicar incapacidade de atender à demanda metropolitana. Isso pode levar a problemas sociais e econômicos, ao expulsar pessoas para periferias ou cidades vizinhas, prejudicando a lógica de crescimento planejado e a eficiência dos investimentos públicos.
Para enfrentar essa tendência, a fonte recomenda estratégias como a integração das regiões metropolitanas e a atração de jovens profissionais. No Brasil, porém, observa-se que muitas regiões metropolitanas ainda não possuem órgãos de decisão coordenados de forma eficaz, funcionando mais como conjuntos de municípios independentes. Essa falta de planejamento integrado dificulta ações estratégicas para conter ou reverter o declínio populacional, segundo aponta a discussão ainda não oficializada, que aguarda confirmação de dados mais detalhados.
O que sabemos?
- Países desenvolvidos como o Japão enfrentam redução ou encolhimento de cidades menores devido ao envelhecimento populacional.
- No Brasil, cidades pequenas tendem a perder população, enquanto cidades médias e regiões metropolitanas continuam crescendo, embora de forma mais lenta.
- A queda na taxa de natalidade brasileira, que há décadas foi de aproximadamente 6 filhos por mulher, contribui para o envelhecimento populacional.
- A falta de órgãos de decisão coordenados nas regiões metropolitanas brasileiras dificulta estratégias de combate ao declínio populacional.
- Especialistas alertam para riscos econômicos e sociais do envelhecimento populacional e da estagnação urbana.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





