Por que chimpanzés e bonobos carregam filhotes mortos por semanas ou meses?
Comportamento intrigante de nossos parentes próximos suscita debates sobre consciência e luto
Estudos apontam que mães de chimpanzés e bonobos continuam a carregar seus filhotes mortos por períodos variados, levantando questões sobre emoções e cognição nesses primatas.
Quando um filhote de chimpanzé morre, não é incomum que sua mãe continue a carregá-lo em suas costas por dias, semanas ou até meses, um comportamento que intriga cientistas há décadas. O mesmo acontece entre bonobos, espécies do gênero Pan, que são parentes próximos dos humanos. Segundo uma pesquisa divulgada por uma fonte especializada, essa resistência em abandonar o filhote morto evidencia vínculos maternos extremamente fortes e duradouros entre esses primatas.
De acordo com Thomas A. Püschel, professor de antropologia evolutiva em Oxford e autor do estudo, “os vínculos maternos em nossos parentes vivos mais próximos são notavelmente poderosos e persistentes, e o comportamento de cuidado não necessariamente cessa quando o filhote morre”. O pesquisador observa ainda que, embora os comportamentos dessas espécies possam parecer semelhantes à ideia humana de luto, é importante ter cuidado ao fazer tais interpretações, já que a cognição desses primatas não é exatamente equivalente à dos humanos.
O estudo, cujo levantamento analisou diferentes casos, descobriu que a duração para carregar um filhote morto varia de apenas 30 minutos até 126 dias, com uma média de cerca de 11 dias. A ponto de nos fazer questionar se esses comportamentos indicam uma consciência mais profunda sobre a morte ou se tratam de um comportamento ligado ao apego, à dependência emocional ou à dificuldade de aceitar uma perda repentina. Ainda não há consenso sobre o significado exato, e o próprio estudo ressalta que a complexidade da vida social dos primatas exige cautela ao tentar aplicar conceitos humanos, como o luto, a esses comportamentos.
Apesar de muitos fatores ainda não serem totalmente esclarecidos, o fenômeno mostra que a conexão entre mãe e filhote em espécies como chimpanzés e bonobos é intensa, podendo durar por meses mesmo após a morte do jovem animal. Essa observação fornece pistas valiosas para entender mais sobre as emoções, o desenvolvimento social e as formas de cuidado na nossa espécie e nos nossos parentes primatas mais próximos.
O que sabemos?
- Mães de chimpanzés e bonobos carregam seus filhotes mortos por dias, semanas ou meses.
- Duração varia de 30 minutos a até 126 dias, com média de cerca de 11 dias.
- Comportamento evidencia vínculos maternos extremamente fortes e duradouros.
- Estudos alertam para a necessidade de cuidado ao traduzir esses comportamentos para conceitos humanos de luto.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- UOL Notícias imprensa





