Comportamento incomum de chimpanzés ao carregarem filhotes mortos por meses chama atenção de pesquisadores
Estudo busca entender por que algumas mães primatas continuam transporting corpos de seus filhotes após a morte
Uma pesquisa da Universidade de Oxford analisou casos de chimpanzés e bonobos que carregam seus filhotes mortos por períodos prolongados, chegando a até 126 dias. Ainda não há explicação definitiva para o fenômeno.
Pesquisadores da Universidade de Oxford investigaram um comportamento curioso e ainda pouco entendido entre chimpanzés e bonobos: o transporte de cadáveres de seus filhotes por semanas ou meses. Segundo uma publicação na revista Biology Letters, a análise de 83 casos registrados em 15 locais diferentes revelou que, enquanto alguns primatas carregaram os corpos por cerca de 30 minutos, outros permaneceram com eles por até 126 dias, com uma média de aproximadamente 11 dias. Em alguns desses episódios, o transporte durou tanto que os corpos chegaram a mumificar, o que reforça a complexidade do fenômeno.
De acordo com os autores do estudo, Reece Hammond, doutorando na Escola de Antropologia e Etnografia de Museus de Oxford, e Thomas A. Püschel, professor de Antropologia Evolutiva na mesma instituição, o objetivo foi reunir dados de diferentes populações para tentar compreender as possíveis razões por trás dessa conduta. A estratégia adotada envolveu a análise de casos já documentados na literatura científica, permitindo uma comparação ampla e uma possível inferência sobre o comportamento em nível de espécie, e até, segundo os pesquisadores, suas implicações na evolução de comportamentos associados à morte em humanos.
Um dos fatores mais estudados foi a causa da morte dos filhotes. Os resultados indicam que a causa mais consistente para o prolongado transporte foi a origem da óbito: filhotes que morreram por doenças tendiam a ser carregados por mais tempo do que aqueles que morreram por infanticídio, ou seja, morte causada por outro animal ou ação agressiva. Ainda segundo os dados, o tempo de transporte também variou de acordo com a idade do filhote, o intervalo entre os nascimentos e a temperatura do ambiente, embora esses fatores tenham apresentado menor correlação do que a causa da morte.
Em relação à causa da morte, os pesquisadores sugerem que uma morte por doença pode deixar a mãe mais ambígua ou confusa, já que ela poderia interpretar o óbito como algo menos traumático ou mais difícil de reconhecer. Como essa capacidade de reconhecer que o filhote morreu ainda não foi comprovada cientificamente em primatas, há uma dúvida importante sobre as razões reais para esse comportamento. A hipótese de que a morte causada por uma doença gera uma maior duração no transporte é considerada uma das possíveis explicações, mas ainda aguarda confirmação adicional.
Essa investigação é importante porque ajuda a entender comportamentos que também aparecem em humanos, e que podem estar ligados à nossa evolução. Por enquanto, o estudo ainda não foi confirmado por outras fontes, e o clube responsável pela pesquisa não se pronunciou oficialmente sobre o tema. O fenômeno, segundo a própria publicação e a análise dos pesquisadores, permanece um mistério que desafia a ciência, evidenciando que a relação entre apego, luto e comportamentos de primatas ainda tem muitas perguntas sem resposta.
O que sabemos?
- Pesquisadores analisaram 83 casos de transporte de corpos de filhotes mortos entre chimpanzés e bonobos.
- Duração média do transporte foi de 11 dias, podendo chegar a 126 dias em casos extremos.
- A causa da morte, especialmente quando relacionada a doenças, parece influenciar o tempo que a mãe mantém o filhote morto.
- Não há confirmação definitiva sobre a capacidade dos primatas de reconhecer que o filhote está morto.
- O fenômeno pode ter implicações na compreensão do comportamento de luto em humanos.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada





