Brasil

Descoberto planeta que nasceu das cinzas de estrela moribunda, comparado à fênix da mitologia

Em apuração ?

Astrónomos identificam um exoplaneta orbitando uma anã branca, marcando um avanço na compreensão de sistemas planetários de segunda geração

Ilustração de um planeta orbitando uma estrela em estágio terminal, simbolizando renascimento das cinzas
Imagem: Folha de S.Paulo

Um planeta gigante gasoso foi detectado orbitando uma estrela destruída, a cerca de 250 anos-luz da Terra. A descoberta indica formação de planetas a partir de restos estelares, um fenômeno pouco comum.

Recentemente, astrônomos anunciaram a descoberta de um exoplaneta que pode ser chamado de 'planeta fênix', uma denominação inspirada na mitologia, na qual a ave renasce das próprias cinzas. Segundo informações divulgadas por pesquisadores envolvidos na pesquisa, esse planeta formou-se a partir de material expelido por uma estrela que passou pelos estágios finais de sua vida, tornando-se uma anã branca. A estrela, ligeiramente maior que o Sol, deixou para trás uma esfera extremamente compacta, e foi justamente nesse remanescente que o planeta foi observado orbitando.

A descoberta foi publicada na revista Nature Astronomy na última segunda-feira (5), e segundo o doutorando em astrofísica responsável pelo estudo, Jamie Williams, trata-se do primeiro exemplo conhecido de um planeta se formando ao redor de uma anã branca. A estrela hospedeira encontra-se na constelação de Cetus, a aproximadamente 250 anos-luz da Terra, uma distância enorme — um ano-luz equivale a 9,5 trilhões de quilômetros.

O planeta é um gigante gasoso, possivelmente um pouco mais massivo que Júpiter, o maior planeta do nosso Sistema Solar. Ele completo sua órbita ao redor da estrela a cada 4,4 dias e encontra-se a somente 4% da distância entre a Terra e o Sol, uma proximidade que gera intensa radiação ultravioleta. Essa radiação extrema provoca a evaporação da atmosfera externa do planeta, parte da qual acaba caindo na própria anã branca, um processo que contribui para o entendimento sobre a formação de planetas de segunda geração—ou seja, que surgem após a morte da estrela, usando restos de material expulsos durante a fase final do corpo celeste.

De acordo com Williams, o padrão químico do planeta reforça essa origem: ele apresenta alta concentração de elementos como nióbio, cobre e zinco. Esses elementos, que estrelas moribundas tendem a lançar ao espaço na sua fase de final de vida, indicam que o planeta se formou a partir de um disco de material expelido pela estrela quando se tornou uma anã branca. O pesquisador explica ainda que, em mitos, a fênix renasce das cinzas; de forma semelhante, este planeta 'renasceu' das cinzas de sua estrela, completando um ciclo de morte e renascimento estelar.

Publicidade

Os cientistas utilizaram dados coletados pelos telescópios espaciais Hubble, TESS e Fuse, com planos de usar futuramente o Telescópio Espacial James Webb para confirmar os achados. Ainda que o planeta seja inóspito à vida, especialistas consideram a possibilidade de que outros corpos de segunda geração, orbitando estrelas semelhantes, possam ser habitáveis, embora essa hipótese ainda não tenha sido confirmada oficialmente.

Segundo Williams, embora planetas de segunda geração já tenham sido identificados ao redor de pulsares — estrelas de nêutrons —, as anãs brancas, mais comuns na Via Láctea, oferecem um cenário mais amplo. Estima-se que mais de 95% das estrelas nesse galaxy irão evoluir até se tornarem anãs brancas, sugerindo que inúmeros planetas de segunda geração podem estar orbitando esses corpos—uma revelação que amplia a compreensão de sistemas planetários fora do nosso universo conhecido.

Publicidade

O que sabemos?

  • Um exoplaneta foi descoberto orbitando uma anã branca a 250 anos-luz da Terra.
  • O planeta é um gigante gasoso, possivelmente mais massivo que Júpiter, com período orbital de 4,4 dias.
  • A estrela hospedeira passou pelos estágios finais de sua vida, tornando-se uma anã branca.
  • O planeta formou-se a partir de material expelido pela estrela moribunda, um exemplo de planeta de segunda geração.

Fontes

Publicidade