Fungos bioluminescentes atraem visitantes ao interior de São Paulo
Parque Estadual Carlos Botelho revela espécies que brilham na Mata Atlântica por reação bioquímica
No Parque Estadual Carlos Botelho, fungos que produzem luz verde são observados principalmente entre novembro e maio, atraindo caminhantes e estudiosos interessados na bioluminescência natural da floresta.
No interior de São Paulo, uma atração diferente encanta quem passeia pelo Parque Estadual Carlos Botelho, em São Miguel Arcanjo: pequenos pontos de luz esverdeada na Mata Atlântica. Segundo informações de Nathália Zandomenegui, gestora do parque pela Fundação Florestal, esses pontos são fungos bioluminescentes, organismos capazes de produzir sua própria luz por meio de reações químicas que envolvem moléculas e enzimas específicas. A espécie de fungo ainda não é completamente registrada, mas os estudos iniciais indicam a presença dos gêneros Gerronema e Mycena no local, com algumas espécies como Gerronema viridilucens e Mycena lucentipes já identificadas. O fenômeno ocorre principalmente de novembro a maio, período em que a maior incidência desses cogumelos é observada na floresta.
De acordo com a mesma fonte, os fungos tendem a crescer em matéria vegetal em decomposição, como folhas caídas, galhos, madeira e até mesmo em folhas de palmeiras, incluindo as do palmito-juçara. A luz emitida por esses organismos resulta de uma reação bioquímica, onde moléculas e enzimas interagem para gerar a fosforescência. Apesar de ainda não se saber ao certo qual a função exata da bioluminescência em tais fungos, uma das hipóteses mais aceitas pelos pesquisadores é que ela serve para atrair artrópodes — como besouros, moscas e formigas — que ajudam na dispersão dos esporos. Essa atração, explica Nathália, promove o transporte dos esporos para outras áreas, facilitando a continuidade da espécie e favorecendo sua propagação na floresta.
O biólogo Danilo Trabuco do Amaral, que participa de expedições de estudo às espécies luminescentes, detalha ao G1 que esses artrópodes, ao entrarem em contato com os fungos brilhantes, acabam carregando os esporos por diferentes pontos da mata. “Você mantém os esporos ali, e os insetos que estão próximos são atraídos por essa luz, encostando no cogumelo e levando material para novos locais”, afirma. Além de papel na dispersão, os fungos também servem de alimento para insetos, lesmas, caracóis e alguns vertebrados, numa relação ecológica conhecida como micofagia. A presença dos organismos e das espécies que eles atraem é vista como um sinal de saúde e preservação da Mata Atlântica, já que tanto os fungos quanto criaturas como vaga-lumes e insetos sensíveis à poluição refletem o bom estado do ambiente florestal.
Observadores e turistas que visitam o parque, sobretudo à noite, podem testemunhar esse espetáculo natural, que reforça a importância da conservação dos ecossistemas. Ainda não há informação oficial sobre o número exato de espécies presentes na unidade ou sobre estudos conclusivos quanto à função específica da bioluminescência dos fungos, e o parque ainda realiza levantamentos em fase inicial para aprofundar o conhecimento nesse campo. A expectativa é de que, com o avanço das pesquisas, novas espécies possam ser identificadas e entendidas, contribuindo para o entendimento da biodiversidade local e das interações ambientais nesses ambientes protegidos.
O que sabemos?
- Existem mais de 120 espécies de fungos bioluminescentes no mundo, segundo fontes internacionais.
- No Parque Estadual Carlos Botelho, foram identificadas espécies dos gêneros Gerronema e Mycena.
- Os fungos brilham na Mata Atlântica principalmente entre novembro e maio.
- A luz é produzida por reações bioquímicas envolvendo moléculas e enzimas.
- A bioluminescência pode ajudar na dispersão de esporos por atração de artrópodes.
Fontes
- G1 imprensa





