Vinte anos após a tragédia no Rio dos Sinos, poluição e desafios ambientais persistem no RS
Mortandade de peixes em 2006 revelou fragilidades na gestão de recursos hídricos do estado
Duas décadas após uma das maiores tragédias ambientais registradas no Rio Grande do Sul, o Rio dos Sinos ainda enfrenta problemas de poluição, apesar de avanços na fiscalização. Ainda hoje, incidentes de mortandade de peixes acontecem, e ações judiciais buscam reparações às vítimas.
Vinte anos após a tragédia que resultou na morte de 86 toneladas de peixes no Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, a situação do rio ainda revela sérias vulnerabilidades frente à poluição. Segundo informações recolhidas por uma fonte do veículo, a contaminação que provocou a mortandade de milhões de peixes ocorreu em 2006, em um trecho entre Sapucaia do Sul e Nova Santa Rita, impactando mais de 700 famílias que tinham na atividade pesqueira sua principal fonte de renda. Os moradores relataram na época que a cena era chocante, com a superfície da água tomada por peixes mortos, cenário que até hoje marca a memória dos locais, segundo depoimentos de moradores. Ainda segundo a fonte, as perdas financeiras e ambientais geraram consequências duradouras, além de avançarem para o campo jurídico. Atualmente, duas ações judiciais tramitam com o objetivo de obter reparações pelo dano causado, incluindo uma condenação que soma mais de R$ 8,3 milhões por danos morais coletivos, embora a sentença ainda esteja pendente de recursos, e uma segunda ação aguardando julgamento. A origem da contaminação foi atribuída a resíduos tóxicos despejados no Arroio Portão, durante o período de piracema, que é quando os peixes se reproduzem, aumentando o impacto do incidente sobre a fauna aquática. Viviane Machado, presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos, explicou que o episódio aconteceu em uma situação de agravamento da qualidade da água, afetada por descarte irregular de uma indústria. Segundo ela, a má condição do rio impede a depuração adequada de resíduos, contribuindo para a propagação de problemas ambientais. Além disso, especialistas apontam que, mesmo com o avanço na fiscalização e monitoramento, o Rio dos Sinos permanece entre os mais poluídos do Brasil devido ao esgoto sem tratamento, que continua sendo uma ameaça constante à sua integridade ecológica. Uwe Schulz, biólogo ouvida pelo veículo, destacou que o problema não se restringe a acidentes isolados, mas também às manifestações imprevisíveis, como eventos de mortandade que ocorrem em períodos de estiagem, quando a concentração de poluentes aumenta. Schulz também ressaltou que a resposta a emergências ambientais na época foi insuficiente, apontando falhas na gestão e na capacidade de mitigar crises dessa natureza, o que ainda hoje é motivo de preocupação, apesar dos avanços no monitoramento. Assim, o quadro do Rio dos Sinos revela uma luta constante contra a deterioração ambiental, reflexo de décadas de problemas não totalmente resolvidos, que demandam atenção contínua de autoridades e da sociedade.
O que sabemos?
- Vinte anos após a mortandade de peixes de 2006, o Rio dos Sinos ainda apresenta altos níveis de poluição.
- Dois processos judiciais buscam reparações por danos causados pelo desastre.
- O episódio foi causado por resíduos tóxicos no Arroio Portão, durante a piracema.
- Especialistas apontam que o monitoramento ambiental tem sido mais rigoroso, mas problemas persistem.
Fontes
- G1 imprensa





