Brasil

Ondas de calor gigantes se tornam cada vez mais frequentes, atingindo até 85% do planeta

Em apuração ?

Especialistas alertam para aumento alarmante de eventos climáticos extremos e seus impactos globais

Mapas globais mostrando áreas afetadas por ondas de calor
Imagem: G1

Segundo análise da Reuters, tempestades de calor atingiram quase 85% do planeta entre 2023 e 2024, representando uma mudança drástica na frequência dessas ondas de calor.

De acordo com uma apuração da Reuters, o fenômeno das ondas de calor de grande escala, que eles chamaram de "tempestades de calor", está se tornando cada vez mais comum e ameaçadora para o planeta. Essas tempestades, conceito criado pelos pesquisadores da agência de notícias após análise detalhada de temperaturas globais ao longo das últimas décadas, passaram de uma média de cinco eventos anuais na década de 1960 para cerca de 102 por ano nesta década. Em um exemplo extremo, uma única tempestade de calor, batizada de Vera, durou impressionantes 367 dias, cobrindo quase 85% do globo entre 2023 e 2024 e provocando efeitos catastróficos em diversas regiões.

Segundo fontes da própria Reuters, essa análise envolveu o monitoramento de temperaturas registradas a cada hora em mais de um milhão de quadrículas que cobrem toda a superfície terrestre, desde 1960. Para contextualizar, o conceito de "tempestade de calor" foi criado para classificar ondas de calor que abrangem pelo menos 1% do planeta — algo equivalente a metade do tamanho do Canadá. Antes, essas ondas eram consideradas eventos isolados, com duração de poucos dias, mas hoje essas massas de calor podem se estender por meses ou até anos.

Um exemplo preocupante ocorreu na Europa durante o verão, quando uma ondas de calor de ampla escala elevou temperaturas a recordes em várias cidades, como Bordeaux, Budapeste e Bilbao, onde os termômetros atingiram até 42,7°C. Segundo fontes próximas às autoridades europeias, esse episódio causou destruição de infraestrutura, como trilhos de ferro de aço deformados, além de uma estimativa de mais de 10 mil mortes em uma única semana, dados que ainda aguardam confirmação oficial.

Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, essa mudança na frequência e alcance das ondas de calor está ligada a alterações climáticas de longo prazo e deve continuar a impactar toda a população mundial. A própria agência criou também uma ferramenta de rastreamento online para acompanhar esses fenômenos na prática, reforçando a gravidade da situação. Ainda não há confirmação oficial se o fenômeno Vera ou esses eventos extremos se tornarão uma regularidade, mas o crescimento acelerado no número de tempestades de calor é considerado uma tendência preocupante por climatologistas.

Por ora, o que se sabe é que, desde 2008, há uma cascata ininterrupta de tempestades de calor, com um fenômeno ativo pelo menos um dia por mais de 18 anos. Estes eventos, considerados como ondas de calor gigantescas, representam uma mudança de paradigma na forma como o clima global se comporta, com possíveis implicações de longo prazo para a saúde, economia e recursos naturais em todo o mundo.

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O que sabemos?

  • Tempestades de calor aumentaram de uma média de 5 por ano na década de 1960 para cerca de 102 na atual década.
  • Uma tempestade de calor chamada Vera durou 367 dias, atingindo até 85% do globo.
  • A análise foi feita com dados de temperaturas a cada hora de mais de um milhão de quadrículas globais desde 1960.
  • Eventos extremos já causaram mais de 10.000 mortes na Europa em uma semana, segundo estimativas não confirmadas oficialmente.
  • Desde 2008, existe uma cascata de tempestades de calor ativas diariamente por mais de 18 anos.

Fontes

  • G1 imprensa
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