Brasil

Recorde de café mais caro do Brasil é arrematado por US$ 4.410 em leilão internacional

Em apuração ?

Lote de café Geisha de Minas Gerais bate novo recorde e chama atenção para o potencial dos cafés especiais brasileiros

Lote de café Geisha da fazenda em Minas Gerais sendo exibido em leilão internacional
Imagem: Folha de S.Paulo

Um lote de café Geisha produzido em Minas Gerais foi vendido por R$ 22,4 mil, o valor mais alto já registrado em leilões no país, colocando o Brasil em destaque no mercado mundial de cafés especiais.

Na última sexta-feira, um café de Minas Gerais conquistou uma marca inédita no Brasil: o lote mais caro já vendido em um leilão nacional. Arrematado por US$ 4.410, o equivalente a R$ 22,4 mil na cotação do dia, o pacote de 10 kg de café da variedade Geisha foi adquirido por uma empresa japonesa na edição do leilão promovido pela Alliance for Coffee Excellence (ACE). Segundo informações de fontes vinculadas à organização, esse valor corresponde a um preço de R$ 2.200 por quilo, rompendo recordes históricos no mercado de cafés especiais brasileiros.

O produtor responsável por esse feito é Luiz Paulo Dias Pereira Filho, de 45 anos, empresário e CEO da Carmo Coffees, cuja fazenda, a Fazenda Santuário Sul, fica em Carmo de Minas, Minas Gerais. Ainda segundo a própria fonte, Luiz faz parte do programa Legends of Excellence, que reúne os principais produtores de cafés premiados no Brasil. Ele afirmou que o lote foi cuidadosamente cultivado, com atenção ao ciclo de produção, desde a escolha do solo até o momento da colheita. Segundo suas palavras, o café passou por dois meses de secagem natural após a colheita, um processo demorado, mas que, de acordo com ele, “vale a pena”.

O produtor destacou que o objetivo de sua produção é mostrar o potencial do Brasil no cenário global de cafés especiais. Luiz revelou que sua fazenda pertence à sua família há várias gerações e que, ao longo do tempo, conquistou mais de 20 vitórias em concursos de qualidade, incluindo o principal evento do setor, o Cup of Excellence. Foi justamente por essas conquistas que ele passou a fazer parte do seleto grupo de produtores que participam do leilão internacional, que neste ano contou com 12 participantes de seis países diferentes.

O leilão ocorreu em Tóquio, na sede da Specialty Coffee Association of Japan, e também teve lances pela internet. O lote de Luiz foi o número 12 e recebeu um lance inicial de US$ 30 por libra-peso. A primeira oferta que chamou atenção foi a de US$ 200 por libra, feita pela torrefadora Snow Beans, que paga um total de US$ 40.086,91 — cerca de R$ 203,3 mil — por esse lote. Todo esse valor será doado, metade a projetos sociais nas comunidades produtoras, como ações de saúde, educação, água e moradia, e a outra metade virá para a formação de profissionais no mundo do café, por meio de treinamentos, bolsas de estudo e cursos de degustação.

De acordo com a ACE, o preço de venda de Luiz bateu o recorde de um café brasileiro, que até então era de US$ 143 por libra, registrado em 2018 na competição Brazil Pulped Natural Cup of Excellence. Ainda assim, a entidade afirma que o recorde absoluto de preço pago por um café brasileiro é de US$ 949 por libra, conquistado em 2026 na China, pelo primeiro colocado do Gems of Yunnan COE Pilot Project. Apesar de ter sido um dos quatro lotes mais caros na edição de Tóquio, o café de Luiz ficou atrás de lotes de Honduras, que receberam US$ 333 e US$ 223 por libra, e de uma do Nicarágua, que fechou em US$ 270,50 por libra. Além do café brasileiro, outro destaque foi o Café Orfeu, produzido na Fazenda Sertãozinho, que foi vendido por US$ 151 por libra.

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O que sabemos?

  • Um lote de café Geisha de Minas Gerais foi vendido por US$ 4.410, atingindo R$ 22,4 mil, o preço mais alto já registrado em leilões nacionais.

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