Brasil

Gato-mourisco passa de 'pouco preocupante' a 'quase ameaçado' na avaliação mundial

Em apuração ?

Mudanças na classificação internacional reforçam a rareza e vulnerabilidade do felino que vive nas Américas

Gato-mourisco caminhando na floresta, com corpo alongado e patas curtas
Imagem: G1

A espécie de felino conhecida como gato-mourisco foi reclassificada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), passando de 'pouco preocupante' para 'quase ameaçado'. Com uma população estimada em cerca de 13 mil indivíduos adultos, o gato-mourisco agora apresenta sinais de maior vulnerabilidade, especialmente devido à perda de habitat e atropelamentos.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a classificação global do gato-mourisco — um felino que habita desde o México até a Argentina — foi alterada de 'pouco preocupante' para 'quase ameaçado'. Essa mudança, ainda não oficialmente confirmada por outras fontes, revela uma maior rareza do animal do que se pensava anteriormente, indicando que, apesar de sua vasta distribuição pelo continente americano, as populações estão diminuindo de forma preocupante.

De acordo com a avaliação, a população mundial do gato-mourisco é estimada em aproximadamente 13 mil indivíduos adultos, uma quantidade pequena diante da sua extensa área de ocorrência. Essa baixa densidade populacional foi reforçada por estudos conduzidos por especialistas de diferentes países das Américas, sob coordenação do biólogo brasileiro Tadeu de Oliveira, copresidente do Grupo de Especialistas em Felinos da IUCN. Ainda segundo Oliveira, o número refere-se a uma estimativa e não a um censo exato, o que reforça a preocupação com a preservação da espécie.

O gato-mourisco apresenta uma morfologia distinta, com corpo alongado, patas curtas e uma aparência que lembra uma lontra, e é conhecido por seus hábitos predominantemente diurnos — comportamentos que facilitam encontros com humanos e podem gerar a falsa impressão de que o animal seja mais comum do que realmente é. Estudos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), divulgado em 2023, apontam que regiões como a Mata Atlântica, Caatinga e partes da Amazônia apresentam baixas densidades do felino, com um levantamento em São Paulo revelando uma densidade inferior a um animal por quilômetro quadrado nas áreas pesquisadas.

Registros de encontros na natureza continuam sendo raros, embora tenham ocorrido situações especiais. Em novembro de 2020, câmeras do projeto Dacnis capturaram uma cena incomum em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos (SP), ao flagrar quatro filhotes atravessando uma trilha — uma quantidade pouco comum, já que, normalmente, os registros de filhotes na natureza são de poucos indivíduos por ocorrência. O responsável técnico pelo projeto, biólogo Edelcio Muscat, destacou a raridade do momento, explicando que mesmo em cativeiro, casos de quatro filhotes são considerados excepcionais e raríssimos na natureza.

Segundo fontes ainda não confirmadas oficialmente, essa evolução na avaliação do gato-mourisco reforça a necessidade de mais estudos e ações de conservação para evitar sua possível extinção. Ainda não há um posicionamento oficial de órgãos ambientais, mas o fato pode ampliar o debate sobre a proteção de espécies vulneráveis que, apesar de serem amplamente distribuídas, são pouco vistas e pouco estudadas na prática. O gato-mourisco permanece como uma espécie que, embora presente em muitas regiões, revela uma fragilidade que exige atenção e esforços científicos para assegurar sua sobrevivência futura.

Publicidade

O que sabemos?

  • A classificação do gato-mourisco foialterada de 'pouco preocupante' para 'quase ameaçado' pela IUCN.
  • Estimativa mundial aponta cerca de 13 mil gatos-mourisco adultos.
  • Estudos indicam baixa densidade populacional em regiões como Mata Atlântica, Caatinga e Amazônia.
  • Registros na natureza de filhotes são raros, mas câmeras capturaram quatro em São Francisco Xavier, SP.

Fontes

  • G1 imprensa
Publicidade