Empresários recorrem a partidos para doações e ocultam ligação direta com campanhas
Transferências milionárias registradas nas contas partidárias em 2024 reforçam estratégia para disfarçar origem dos recursos
Neste ano, grandes empresários doaram R$ 43,4 milhões diretamente aos partidos políticos, em vez de fazê-lo às campanhas, dificultando o rastreamento dos recursos destinados às eleições. A prática preocupa especialistas por criar uma barreira entre doadores e candidatos e beneficia-se de prazos mais flexíveis na prestação de contas das legendas.
Em 2024, empresários brasileiros estão preferindo doar recursos diretamente aos partidos políticos em vez de repassá-los diretamente às campanhas eleitorais, revelam dados apurados até 24 de setembro. Essa estratégia cria uma camada intermediária que obscurece o caminho do dinheiro, já que as doações aparecem nas contas partidárias anuais e não na prestação de contas específicas das candidaturas.
Segundo informações da Folha de S.Paulo, os partidos políticos declararam ter recebido R$ 43,4 milhões de origem privada para manutenção partidária até o início da campanha eleitoral. Esse montante equivale a mais da metade do total doado por pessoas físicas às campanhas, que somaram R$ 78 milhões, evidenciando a relevância dessa artimanha financeira e deixando claro que tanto os partidos quanto as campanhas recebem grandes quantias – que ainda devem crescer com o avanço da eleição.
O levantamento também aponta uma distinção entre as doações pequenas, feitas de forma contínua ao longo do ano por milhares de militantes, e as grandes transferências, concentradas entre junho e agosto, meses que antecedem o período oficial da campanha. Nesses três meses, entraram R$ 21,7 milhões nas contas dos partidos, caracterizando uma movimentação intensa de recursos.
Os números também mostram que, em 2026, já 114 doadores ultrapassaram o valor de R$ 20 mil em doações aos partidos, totalizando R$ 24,4 milhões. Deste grupo, pelo menos cinco fizeram doações duplas, também contribuindo para campanhas específicas. Destaca-se ainda que 53 doadores transferiram mais de R$ 100 mil e seis ultrapassaram a marca de R$ 1 milhão em repasses às legendas. Para comparação, em 2025, um ano sem eleições, as doações acima de R$ 20 mil somaram R$ 15,4 milhões, e nenhuma ultrapassou a cifra de R$ 1 milhão.
Essa prática levanta preocupações no cenário político, pois a prestação de contas partidárias anuais, onde essas doações são registradas, permite uma flexibilização maior no prazo para entrega dessas informações, que pode ser feita apenas até o ano seguinte. Além disso, a manipulação dessas doações pode dificultar o controle e a transparência sobre quem realmente financia as campanhas eleitorais.
Na prática, essa intermediação serve para evitar o aparecimento direto do dinheiro nas contas dos candidatos, o que poderia gerar questionamentos legais e éticos. O modo como esses recursos são contabilizados sugere que os empresários buscam manter um grau de distância dos beneficiários finais, dificultando a identificação do elo eleitoral.
Até o momento, não há informações divergentes ou confirmações por outras fontes que corroborem ou contestem essa situação, o que indica que as informações são provenientes exclusivamente de uma única reportagem.
O que sabemos?
- Grandes empresários doam recursos principalmente aos partidos, não diretamente às campanhas eleitorais.
- Até 24/9/2024, partidos receberam R$ 43,4 milhões de origem privada para manutenção partidária.
- Em 2024, R$ 21,7 milhões foram doados aos partidos entre junho e agosto, antes do início formal da campanha.
- Em 2026, 114 doadores ultrapassaram R$ 20 mil em doações para partidos, totalizando R$ 24,4 milhões.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação divulgada apenas pela Folha de S.Paulo; aguardando outras fontes.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa