Decisão do STF sobre a Moratória da Soja pode impactar economia e meio ambiente no Brasil
Entenda os possíveis efeitos da validação do acordo pelo Supremo Tribunal Federal
O STF reconheceu a validade da Moratória da Soja, um acordo que impede o desmatamento na Amazônia para produção de soja, mas especialistas alertam para os custos ambientais e econômicos de seu encerramento.
Segundo fontes do WWF-Brasil, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de reconhecer a validade da Moratória da Soja no Brasil pode ter implicações sérias para o meio ambiente e para a economia do país. Ainda não oficialmente confirmado, o impacto potencial seria estimado em até US$ 8,2 bilhões até 2032, além de um aumento considerável no desmatamento amazônico.
De acordo com o WWF, a extensão de terra na Amazônia que poderia ser desmatada adicionalmente caso o acordo fosse encerrado é de aproximadamente 1,4 milhão de hectares ao longo dos próximos dez anos. Este aumento, segundo a entidade, representaria uma elevação de 17% nas taxas históricas de desmate e poderia gerar um volume de emissões de cerca de 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, um patamar próximo ao total anual de emissões do Canadá. Os números são oriundos de um estudo publicado na revista científica Science e divulgado pelo WWF no Brasil.
A análise de especialistas revela que o custo econômico da retomada do desmatamento se mede não só na perda de biodiversidade, mas também na diminuição dos serviços ambientais que a floresta proporciona, como a regulação da água, as chuvas necessárias para a agricultura e a geração de energia hidrelétrica. Tiago Reis, responsável por conservação territorial no WWF-Brasil, afirmou à CNN Agro que a floresta deve ser vista como um “ativo financeiro”, capaz de gerar riqueza em longo prazo e evitar custos ambientais futuros.
Enfatizando a importância da preservação, a Moratória da Soja, criada em 2006, proíbe a comercialização de soja produzida em áreas da Amazônia desmatadas após julho de 2008. Ao reconhecer a validade do acordo, o STF também determinou o encerramento de processos judiciais e administrativos ligados à sua legalidade, incluindo ações no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Entretanto, leis estaduais de Mato Grosso e Rondônia permanecem permitindo a retirada de benefícios fiscais de empresas que participam de acordos ambientais mais rigorosos.
Durante os primeiros dez anos de vigência, o estudo aponta que a Moratória reduziu em aproximadamente 35% o desmatamento nas regiões de maior risco de expansão da cultura de soja, além de evitar a perda de cerca de 1,8 milhão de hectares de floresta. Ainda assim, a área cultivada de soja na Amazônia mais que triplicou nesse período, principalmente devido ao avanço sobre terras já abertas, o que demonstra que há potencial para expandir a produção sem necessidade de novas áreas de desmatamento.
O levantamento também identificou que há aproximadamente 1,7 milhão de hectares de terras desmatadas e aptas para cultivo, além de 9,1 milhões de hectares de florestas em propriedades privadas de alta aptidão para soja que poderiam ser convertidos legalmente conforme o Código Florestal. No entanto, há também 28,7 milhões de hectares de florestas públicas não destinadas, que poderiam ficar mais vulneráveis à especulação fundiária caso o acordo perdesse eficácia.
Por fim, a análise revelou que não há evidências de que a moratória tenha causado redução na remuneração dos agricultores locais ou distorções de mercado, sendo que os preços pagos aos produtores de regiões sob o acordo são similares aos de regiões vizinhas. Assim, os impactos econômicos, tanto positivos quanto negativos, continuam sendo objeto de debates entre especialistas, governos e organizações ambientais, diante da importância de se equilibrar crescimento agrícola e preservação ambiental.
O que sabemos?
- STF reconheceu a validade da Moratória da Soja no Brasil.
- A possível volta do desmatamento adicional na Amazônia pode chegar a 1,4 milhão de hectares em dez anos.
- A estimativa de perdas econômicas até 2032 é de cerca de US$ 8,2 bilhões.
- O estudo aponta que a iniciativa ajudou a reduzir o desmatamento em 35% nos primeiros dez anos.
- Não há evidências de impacto negativo nos preços pagos aos agricultores por causa da moratória.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





