Desmatamento na Amazônia ameaça as chuvas no Paraná e impacto na agricultura
Estudo aponta que 40% das precipitações no estado dependem de umidade da floresta amazônica
Pesquisadores da UFPR revelam correlação entre maior desmatamento na Amazônia e queda nas chuvas no Paraná, especialmente na Bacia do Rio Iguaçu, que concentra grande parte da produção agrícola e energia do estado.
Um estudo recente realizado na Universidade Federal do Paraná (UFPR) trouxe à tona uma preocupação crescente sobre os efeitos do desmatamento na Amazônia e suas consequências para o clima na região Sudeste do Brasil, especialmente no estado do Paraná. Segundo os pesquisadores, cerca de 40% das chuvas que atingem o Paraná dependem da umidade proveniente da floresta amazônica, uma relação que está cada vez mais ameaçada pelo aumento do desmatamento na região. Ainda não confirmado oficialmente, o estudo cruzou dados de perda de vegetação na Amazônia com registros de precipitação de 64 estações pluviométricas entre janeiro de 2011 e dezembro de 2023, observando uma correlação entre períodos de maior desmatamento e redução de chuvas na Bacia do Rio Iguaçu, uma das áreas mais vulneráveis do estado.
A análise, publicada na revista científica Brazilian Journal of Biology, destacou ainda que a Bacia do Rio Iguaçu, que abrange 35 município, responde por aproximadamente 60% da produção de grãos do Paraná e por 41% da geração de energia hidrelétrica do Estado. Essa região concentra cinco grandes reservatórios utilizados na produção de energia, importantes para o abastecimento estadual e para a economia local. Ainda segundo o estudo, a estiagem severa na safra 2021/2022, que provocou uma quebra de aproximadamente 50% na produção de soja, já revelou a vulnerabilidade do setor agrícola paranaense diante de mudanças no regime de chuvas.
A pesquisadora Ana Carolina da Silva explica que, embora o estudo não afirme que toda a redução de chuva ou secas no Paraná sejam causadas pelo desmatamento na Amazônia, há evidências de que a umidade proveniente dessa região africa significativamente na formação das chuvas. Ela ressaltou que a Amazônia não é um sistema isolado, impactando todo o continente sul-americano, e que o aumento do desmatamento tende a intensificar períodos de seca no Paraná.
O impacto direto na agricultura, na produção de energia e no abastecimento de água reforça os alertas sobre a necessidade de medidas para conter o desmatamento. Segundo Ana Carolina, se a tendência de aumento na devastação da floresta continuar, a região do Paraná pode sofrer consequências ainda mais severas, com impactos econômicos e ambientais que atingem milhões de moradores e produtores locais. A Ufpr reforça que a região solução a depender de ações conjuntas e de monitoramento contínuo para mitigar esses riscos, cuja origem, segundo o estudo, está ligada a uma dinâmica global que ameaça alterar o clima de todo o continente.
O que sabemos?
- Cerca de 40% das chuvas no Paraná vêm da umidade da Amazônia.
- Estudo cruzou dados de desmatamento com precipitação entre 2011 e 2023.
- Bacia do Rio Iguaçu concentra 60% da produção de grãos do Paraná.
- Região responde por 41% da energia hidrelétrica estadual.
- A estiagem de 2021/2022 provocou queda de 50% na produção de soja no Paraná.
Fontes
- G1 imprensa





