Dalva Miranda: a voz de quem vive e luta nas margens do rio Mutuacá
Líder comunitária do Amapá prefere 'cidadã das águas' e defende democracia e preservação da Amazônia
Aos 67 anos, Dalva Miranda da Silva constrói uma trajetória singular na comunidade do Carvão, em Mazagão (AP). Exemplo de ativismo social, ela destaca a importância do rio como casa e sustento, reafirmando a identidade e resistência dos povos tradicionais da floresta.
Dalva Miranda da Silva, uma figura central na comunidade do Carvão, às margens do rio Mutuacá no Amapá, tem uma visão forte e poética sobre sua identidade: “A expressão ribeirinho denota uma forma de inferiorizar. Prefiro cidadão das águas.” Aos 67 anos, ela personifica a luta pela preservação da Amazônia e a defesa da democracia, valores que endossa em suas palavras: “Voto em quem defende a democracia e a Amazônia.”
Nascida em Macapá, filha de uma portuguesa que se casou com um militar pioneiro no antigo território federal, Dalva trilhou um caminho pouco convencional. Casou-se jovem, aos 17 anos, e mudou-se para Maceió (AL). Mas a vida tomou um rumo inesperado ao se separar e decidir morar no meio da floresta amazônica, onde passou mais de um ano sem energia elétrica. Chegou à comunidade do Carvão há 36 anos, atraída pelo amor ao líder extrativista Joaquim Belo, de 64 anos, ao mesmo tempo em que firmava um compromisso com a preservação da biodiversidade e dos modos de vida tradicionais da região.
Dalva levou consigo os dois filhos do primeiro casamento, que se juntaram aos dois filhos de Joaquim, formando uma grande família unida tanto pela afetividade quanto pelo ativismo em defesa do território. Entre os relatos da liderança comunitária estão dias em que o transporte local era precário: “Circulava em um Fusca, único carro da comunidade na época, e pilotava uma motocicleta.” Um hábito que, segundo ela, causava escândalo, mas que acabou sendo bem recebido. No entanto, há três décadas, sofreu um grave acidente de moto que marcou sua história, lembrando que o acesso a atendimento local era limitado, resumindo os cuidados à simples colocação de gesso.
Mais do que líder social, Dalva representa um segmento da população amazônica que resiste às pressões externas e revaloriza sua identidade cultural e ambiental. A comunidade do Carvão, distrito de Mazagão, faz parte da região metropolitana de Macapá, e é uma das muitas comunidades que têm na floresta e no rio seus principais recursos e referência de vida.
Reconhecida por sua atuação, Dalva também é editora do prêmio Empreendedor Social e já contribuiu para a imprensa ao editar a Revista da Folha e ser autora do livro “As Meninas da Esquina”. Sua trajetória traz à tona as complexidades do cotidiano desses cidadãos das águas, que além de protegerem o meio ambiente, estão inseridos em pautas sociais e políticas relevantes, reforçando a importância do voto consciente na defesa da democracia e da Amazônia.
O que sabemos?
- Dalva Miranda tem 67 anos e vive na comunidade do Carvão, no Amapá.
- Ela prefere ser chamada de 'cidadã das águas' em vez de 'ribeirinha'.
- Chegou à comunidade há 36 anos e é líder comunitária e ativista ambiental.
- Dalva é editora do prêmio Empreendedor Social e autora do livro 'As Meninas da Esquina'.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação divulgada apenas por Folha de S.Paulo; aguardando outras fontes.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa