Brasil

Criação de búfalos em área protegida do Amapá levanta suspeitas de irregularidades ambientais

Informações checadas ?

Cadastro de terras e transporte ilegal de animais destacam conflitos na reserva biológica do Lago Piratuba

Búfalos na área de proteção do Amapá, perto do rio Araguari
Imagem: Folha de S.Paulo

A presença de milhares de búfalos na Reserva do Lago Piratuba, no Amapá, desperta atenção por envolver registros de cadastros rurais irregulares e transporte sem licenciamento. Autoridades analisam se atividades estão em desacordo com leis ambientais.

A situação envolvendo a criação de búfalos na região da Reserva Biológica do Lago Piratuba, no leste do Amapá, chamou atenção por revelar uma possível combinação de irregularidades ambientais e uso indevido de cadastros rurais. Segundo informações obtidas por um veículo de imprensa, a área, que é uma unidade de proteção ambiental com cerca de quarenta anos de existência, vem registrando a presença de milhares de búfalos, especialmente no leito assoreado do rio Araguari, um fenômeno que acelerou nos últimos 15 anos.

De acordo com a fonte, foram identificados quatro cadastros ambientais rurais — conhecidos como CARs — ativos dentro da reserva, que somam aproximadamente 14,4 mil hectares, equivalente a quase 4% da extensão total da área protegida. Dois desses cadastros teriam sido criados e ativados recentemente, em 2025. Os CARs são, em teoria, instrumentos de regularização ambiental adotados pelos produtores rurais para buscar a legalização de suas terras, mas, na prática, têm sido alvo de críticas, especialmente na Amazônia, por serem utilizados por posseiros e grileiros na tentativa de obter acesso ilegal a áreas protegidas.

Especialistas explicam que, numa reserva de conservação como a do Lago Piratuba, a existência de CARs ativos é considerada irregular, pois esses registros são declaratórios e destinados a imóveis rurais destinados à produção agropecuária, o que não é permitido dentro de unidades de conservação. Ainda segundo a fonte, a análise e validação desses cadastros cabem à Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Amapá, que é responsável pelo sistema de consulta pública. Essa situação levanta dúvidas sobre o real objetivo dessas inscrições e se há algum tipo de tentativa de regularização indevida, permitindo atividades ilegais, incluindo transporte de animais para frigoríficos de Macapá, sem as devidas licenças ou guiamentos, como também foi apontado.

Os registros de transporte não autorizados e a criação de búfalos na região remetem à preocupação de que a atividade, embora crescente, não esteja sendo conduzida de forma legal. Ainda não há confirmação oficial de ações concretas por parte do órgão ambiental ou do clube de produtores envolvidos na atividade bubalina na área. A reportagem não conseguiu obter pronunciamentos oficiais até o momento, e o clube responsável, caso exista, também não se manifestou. Assim, o que se sabe é que há um intenso debate sobre a legalidade das atividades na reserva, principalmente pelo fato de que esses registros e as atividades relacionadas estão acontecendo em uma área de proteção, onde a legislação é mais rígida para evitar impactos ambientais e uso indevido do território.

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O que sabemos?

  • Existem quatro CARs ativos dentro da Reserva Biológica do Lago Piratuba no Amapá.
  • Os CARs somam 14,4 mil hectares, quase 4% da reserva.
  • Dois desses cadastros foram criados e ativados em 2025.
  • Há registros de criação de búfalos e transporte de animais sem licença na região.

Fontes

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