Brasil

Criação de búfalos no Amapá provoca mudanças na paisagem e no curso do rio Araguari

Informações checadas ?

A expansão da criação de búfalos dentro de reserva e áreas próximas pode estar acelerando a alteração do rio Araguari, que deixou de desaguar no Atlântico em 15 anos

Valas e canais formados pelo pisoteio de búfalos no entorno do rio Araguari no Amapá
Imagem: Folha de S.Paulo

A intensa criação de búfalos na região do Lago Piratuba, no Amapá, está relacionada à deterioração do rio Araguari, cujo curso se desviacada do oceano Atlântico. Cientistas, MPF e institutos de conservação apontam que esse fenômeno é irreversível e agravado por atividades humanas e mudanças naturais.

Uma transformação profunda na paisagem do leste do Amapá está em andamento, segundo apuração feita pela equipe do portal Página 99, baseada em informações de especialistas e órgãos de fiscalização. A criação de milhares de búfalos, dentro e ao redor da Reserva Biológica do Lago Piratuba, é apontada como uma das principais causas pela qual o rio Araguari, que desaguava no oceano Atlântico, apresentou um desvio em seu curso, ficando, atualmente, sem uma foz direta no mar e acessando o Amazonas. Segundo a fonte, essa mudança ocorreu ao longo de cerca de 15 anos, uma velocidade considerada acelerada se comparada aos tempos geológicos.

Dados obtidos junto ao Ministério Público Federal, ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e ao plano de recursos hídricos do Governo do Amapá indicam que o impacto da criação de búfalos é decisivo para esse processo, acelerado também por obras de hidrelétricas e por alterações naturais na planície amazônica. A preocupação é que essa alteração seja irreversível, transformando uma das regiões mais ricas da biodiversidade brasileira. Ainda não há confirmação oficial sobre a extensão exata dos danos, mas relatos indicam que valas e canais formados pelo pisoteio dos animais, além da erosão causada pela ação da água, estão contribuindo significativamente para o esgarçamento do leito do rio.

A maior parte das ações de criação desses animais exóticos ocorre na área do entorno da reserva, cuja cidade mais próxima é Cutias, a cerca de 140 km de Macapá, capital do estado. Segundo fontes no local, proprietários e criadores de búfalos continuam, mesmo que de forma não oficial, expandindo suas atividades, o que potencializa a degradação do ambiente natural.

Apesar de a criação de búfalos ser uma prática que vem crescendo na região, ela ainda não teve um consenso firmado entre órgãos ambientais e a sociedade civil quanto aos seus efeitos a longo prazo. As autoridades alertam que o fenômeno representa uma ameaça à estabilidade do ecossistema e que a mudança no curso do rio Araguari pode afetar a navegação, o abastecimento de comunidades próximas e a própria biodiversidade do rio e seus arredores.

A equipe do portal esteve na região e reuniu documentos e relatos sobre quem são os principais criadores dessa espécie exótica, mas ressalta que ainda não há uma posição oficial do governo ou de órgãos ambientais confirmando a extensão total do impacto. Ainda assim, as evidências apontam para uma relação direta entre essa atividade humana e as mudanças ambientais em curso, levando especialistas a considerarem o fenômeno como uma transformação irreversível da paisagem do Amapá.

Publicidade

O que sabemos?

  • A criação de búfalos na região do Lago Piratuba é intensificada dentro e fora da Reserva Biológica.
  • Essa atividade está relacionada ao esgarçamento do rio Araguari, que deixou de desaguar no Atlântico há 15 anos.
  • Especialistas e órgãos oficiais indicam os búfalos como aceleradores dessas mudanças ambientais.
  • Alterações no curso do rio podem impactar comunidades e a biodiversidade local.

Fontes

Publicidade